Arquivo da categoria ‘Resenhas CD’s’

Matakabra: “Prole”

Publicado: 20/11/2017 por Pedro Mello em News, Resenhas CD's, Uncategorized
Tags:, ,

C__Data_Users_DefApps_AppData_INTERNETEXPLORER_Temp_Saved Images_images(2).jpg

Já contando com uma certa fama no underground nordestino, os pernambucanos do Matakabra, apresentam neste curto EP, “Prole” (2016), um som agressivo, tendo como base elementos do Death, Black Metal com flertes ao Hardcore.

Tendo passado por alguns momentos estressantes na gravação de seu primeiro EP, os músicos Rodrigo Costa (Vocal), Bloco Paiva (Guitarra), Fernando Marques (Guitarra), Rafael Coutinho (Baixo) e Theo Espíndola (Bateria), optaram por serem os responsáveis por toda produção do registro.

“Prole”, traz três faixas que totalizam pouco mais de onze minutos. O trabalho traz arte de Felipe Vaz Luza, que sintetiza em uma única imagem as três faixas. A banda ainda conta com a participação de Bruno Saraiva nos teclados.

A primeira faixa é ‘Executa’, que abre o trabalho de forma agressiva, tendo como tema, o Estado e as políticas negligentes. O som é pesado, com vários elementos, mas com gravação limpa e acima da média.

‘Pesadelo’ é a segunda música do registro e mantém a sonoridade de ‘Executado’, a faixa fala dos perigos da vida em sociedade. A cadência da música é perfeita para ser executada ao vivo. Uma verdadeira “quebra pescoço”.

Fechando o registro temos a faixa título, ‘Prole’. Com um inicio um pouco mais melódico que acaba desencadeando na porradaria sonora do Matakabra.

Faixas com teor político social, que exprimem os sentimentos da maioria dos brasileiros, aliados a guitarras afiadas e bateria insana. Altamente recomendado. Nota: 08.

Faixas:

01. Executado
02. Pesadelo
03. Prole

Anúncios

Affront: “Angry Voices”

Publicado: 18/10/2017 por Pedro Mello em News, Resenhas CD's, Uncategorized
Tags:, ,

download.jpg

A banda carioca Affront é formada por dois ex-integrantes da lendária banda de Black Metal carioca, Unearthly: Marcelo Mictian (Vocal / Baixo) e Rafael Rassan (Guitarra), a bateria na gravação do álbum ficou a cargo de Jedy Nassay, que fora substituído por Thiago Caneda.

Não se apegando a comodidade, Mictian e Rassan, abordam em “Angry Voices”, primeiro trabalho da banda, uma sonoridade baseada no Death Metal com elementos de Thrash, bem diferente do que a dupla fazia no já citado Unearthly.

Com a bagagem dos músicos envolvidos, era certo de que o álbum soasse bem arrumado dentro da proposta da banda, a dupla Mictian e Rassan assina a produção e o trabalho gráfico ficou a cargo do experiente Marcelo Vasco, que trabalhou com bandas do porte de Slayer, Borknagar, Machine Head e outros. O álbum apresenta doze faixas, chegando aos 35 minutos de duração.

‘Scum Of The World’ é uma excelente faixa de abertura, foi o cartão de visitas da banda, sendo o primeiro lyric vídeo disponibilizado nas redes sociais, pesada, veloz e situa bem o ouvinte a sonoridade da banda, o solo limpo de guitarra é um dos destaques, ‘Angry Voices’, mantém o peso, seguida por ‘Affront’ e ‘Conflicts’.

As quatro primeiras faixas, mostram Mictian muito a vontade nos vocais com linhas precisas de baixo, Rassan com riffs inspirados e Nassay com uma bateria que mais parece uma britadeira. A temática da banda até o momento se baseia nas mazelas políticas que o povo brasileiro sofre.

‘Terra Sem Males’ é a primeira faixa instrumental do álbum, soa como um momento de calmaria antes da tempestade. Com vários instrumentos de percussão indígena, todos executados por Mictian, a faixa tem como inspiração a escravização imposta à tribo dos índios Guaranis, escravizados após a guerra entre Brasil e Paraguai. ‘Mestre Barro’, traz elementos regionais nordestinos aliados ao peso do Death Metal, é uma homenagem ao artista Mestre Vitalino. Vitalino é um grande escultor nordestino, que tinha o barro como matéria prima de suas obras, hoje espalhadas e reverenciadas ao redor do mundo em lugares como Viena, Paris e Áustria, além do Brasil.

‘Religions Cancer’, não precisamos falar do que se trata, é auto-explicativo, ‘Under Siege’ é um pouco mais direta, com elementos de Thrash mais aparentes e é um dos carros chefes do registro. ‘Carved In Stone’ tem uma sonoridade um pouco mais lenta do que as demais, a letra é bem particular para Marcelo Mictiane, fala sobre o recomeço da banda, os novos desafios a serem enfrentados. Os solos melódicos de Rassan acrescentam muito a música.

‘Wartime Conspiracy’ segue a proposta imposta pela banda, ‘Echoes Of Insanity’ é mais uma faixa instrumental, bem curta, o dedilhado de violão prende o ouvinte. A última faixa do registro trata-se da “repetição” de ‘Under Siege’, com uma adição, Marcelo Pompeu (Korzus) se une a Mictian nas linhas vocais, engrandecendo mais ainda a força do trabalho.

“Angry Voices” é indicado para os apreciadores de um Thrash / Death pesado, bem trabalhado e matador e atual. Longa vida a Affront. Nota: 09.

 

Faixas:

01. Scum Of The World
02. Angry Voices
03. Affront
04. Conflicts
05. Terra Sem Males (Guerra Guaranítica)
06. Mestre Barro
07. Religions Cancer
08. Under Siege
09. Carved In Stone
10. WarTime Conspiracy
11. Echoes Of The Insanity
12. Under Siege (Participação Especial: Marcelo Pompeu)

 

heavenless-capa.jpg

É muito legal ver boas e promissoras bandas surgindo de cada Estado do Brasil. Desta vez, vamos falar um pouco da banda Heavenless, a banda vem do Rio Grande do Norte e apresenta seu primeiro álbum, “Whocantbenamed” ou “Who Can’t Be Named”.

O álbum chama a atenção pela arte sombria exposta na capa, que já indica o que estamos prestes a ouvir, peso, muito peso. A banda é formada por Kalyl Lamarc (Vocal / Baixo), Vinicius Martins (Guitarra) e Vicente (Bateria).

‘Enter Hades’, abre as portas do Inferno para o ouvinte, som pesado, sem firulas ou rodeios, direto e certeiro. Uma perfeita união entre o Death e o Thrash Metal. Já posso imaginar rodas e rodas se abrindo com a execução dessa música. Sem tempo para respirar, ‘Hopeless’, mantém o atropelo iniciado em ‘Enter Hades’, a faixa é o segundo single do álbum e ganhou um vídeo bastante reflexivo, é só procurar no Youtube.

“The Reclaim’ é uma faixa mais cadenciada e chega a flertar com o Doom Metal, som arrastado e obscuro, dando continuidade temos ‘Hatred’, o primeiro single apresentado pela banda, e ‘Soothsayer’, ambas apresentam o som pesado característico do Heavenless, como nas primeiras faixas.

O registro segue com ‘Odium’, mais uma que deve funcionar bem ao vivo e massacrar o pescoço do ouvinte. ‘Deceiver’ e ‘Point-Blank’ encerram o álbum mantendo a agressividade imposta pelo trio.

Produção primorosa, músicos e execução bem acima da média, com certeza a banda tem tudo para trilhar um caminho bem sucedido, vocais agressivos, cozinha marcante e riffs pesados, mistura certeira para um trabalho de qualidade. Nota 09.

 

Faixas:

01. Enter Hades
02. Hopeless
03. The Reclaim
04. Hatred
05. Soothsayer
06. Odium
07. Uncorrupted
08. Deceiver
09. Point-Blank

tupi.jpg

“Invasão Alienígena” é o primeiro EP da banda Tupi Nambha, lançado originalmente em mídias digitais em 2016 e ganhando versão em formato físico agora em 2017, o álbum traz sete canções, com quase 30 minutos de duração, contando um pouco da cultura indígena e seu contato com o homem branco.

A banda brasiliense formada por Marcos Loiola (Vocal), Rogerio Delevedove (Guitarra), traz uma sonoridade única, mesclando elementos regionais ao Heavy Metal, com vocalizações em Tupi. O Tupi Nambha faz parte do projeto, ou movimento, Levante do Metal Nativo, que juntamente com as bandas Aclla, Armahda, Arandu Arakuaa, Cangaço, Hate Embrace, MorrigaM, Tamuya Thrash Tribe e Voodoopriest, visa justamente essa união dos ritmos brasileiros ao Heavy Metal.

Como o nome deixa claro, a banda conta fatos ocorridos, assim como os costumes da tribo Tupinambá. O álbum inicia com ‘Invasão Alienígena’, faixa que dá nome ao EP, o som é bem consistente e as doses entre elementos indígenas e o peso do Metal estão bem equilibradas.

A segunda faixa é ‘Antropofagia’, a música mantém a pegada da faixa antecessora e funciona igualmente muito bem, ‘Tribo Em Guerra’ traz um pouco mais de peso em seu início, mas depois entra em uma cadência tribal bem elaborada, com pontes e refrão contagiantes, com certeza, apesar do Tupi não ser tão difundido, essa música será cantada a plenos pulmões se executada ao vivo.

‘Tupi Nambha’ é um pouco mais experimental com um riff bem marcado, já ‘Galdino Pataxó’ une Heavy Metal ao Maracatu e é uma faixa que pode chegar a ganhar destaque em várias mídias, levando um novo público a conhecer a banda. 

‘Feiticeiro’ é a penúltima faixa, um pouco mais pesada do que as demais, mas mantendo a essência da sonoridade do Tupi Nambha, fechando o álbum e fazendo uma ponte com a temática abordada em ‘Feiticeiro’, temos ‘Ayahuasca’, música que fala sobre a bebida sacramental alucinógena, que liga os pajés ao mundo espiritual.

O álbum contou com produção de Caio Cortonesi , um excelente trabalho diga-se de passagem, deixando todos os elementos musicais bem audíveis e coesos. A arte ficou por conta de João Rafael, uma arte bem orgânica que casa muito bem com a proposta da banda. Não deixe de conferir. Nota: 09.

Faixas:

01. Invasão Alienígena
02. Antropofagia
03. Tribo em Guerra
04. Tupi Nambha
05. Galdino Pataxó
06. Feiticeiro
07. Ayahuasca

Canábicos: “Intenso”

Publicado: 16/10/2017 por Pedro Mello em News, Resenhas CD's, Uncategorized
Tags:, ,

Capa Canabicos Intenso.JPG

“Intenso” é o quarto álbum da banda mineira Canábicos. A banda formada por Clandestino (Vocal), Murcego Gonzalez (Guitarra / Bandolim), Mestre Mustafa (Bateria / Percussão) e M.M (Baixo) imprime um contagiante e dançante Classic Rock.

O registro possui uma capa simples e tão complexa ao mesmo tempo, acertadíssima escolha da banda. São oito faixas, que totalizam algo em torno de 31 minutos. As influências da banda ficam em torno de bandas como Beatles, Black Sabbath, Rolling Stones e Led Zeppelin.

‘Planeta Estranho’ é a faixa de abertura e mostra que a banda não está para brincadeiras, as guitarras imprimem um bom ritmo e mostra a identidade da banda. ‘Fora da Lei’ vem em uma pegada mais calcada no Rock Nacional dos anos 80, utilizando as boas características desta safra de bandas de forma consciente e precisa, com boas variações rítmicas sem se perder aos clichês maçantes da época.

A faixa que dá nome ao álbum, ‘Intenso’ tem um início quase recitado, e traz uma sonoridade viajante. ‘Não faz Sentido’ é uma daquelas músicas que quase que hipnoticamente te prendem e fazem você querer começar a cantar, acompanhando Clandestino. Na sequência temos ‘Lei do Cão’, que chega com um com um refrão bem grudento, seguindo a proposta da banda sem soar repetitiva. ‘Viagem Espacial’ e ‘Rotina’ fecham o álbum, mantendo a pegada inicial da banda.

Vale lembrar que a banda foi criada em 2013 e até 2015, lançou um álbum por ano. “La Bomba” (2013), “Reféns da Pátria” (2014) e “Alienígenas” (2015).  Se você achou que a banda iria por uma linha de apologias, incursões de Reggae e coisas assim, esqueça. Classic Rock na essência com alguns flertes com o – e porque não? – elementos da safra do Rock nacional dos anos 90. Intensifique-se. Nota: 08,5.

Faixas:

01. Planeta Estranho
02. Fora da Lei
03. Intenso
04. Não Faz Sentido
05. Lei do Cão
06. Viagem Espacial
07. Rotina
08 – Eu Não Sei o Que Vai Ser de Mim

Quintessente-Songs-From-Celestial-Spheres.jpg

Após o lançamento de duas demos, “The Mask Of Dead Innocence” (1996) e “Lonely Seas Of A Dreamer” (2000), a banda carioca Quintessente entrou em um hiato de aproximados 15 anos e retornou aos palcos abrindo para os mineiros do Tuatha de Danaan no Rio de Janeiro, em Maio de 2016. No decorrer da apresentação a banda anuncia o lançamento do single “The Belief Of The Mind Slaves” (2016) e chega agora em 2017 ao primeiro full lenght da banda, intitulado, “Songs From Celestial Spheres”.

O trabalho já chama bastante atenção pelo belíssimo material gráfico e mostra que como algumas bebidas, o longo tempo de espera tornou o trabalho mais encorpado. A banda conta com os músicos André Carvalho (Vocal), Cristiano Dias (Guitarra), Cristina Müller (Teclado/ Vocal), Leo Birigui (Bateria) e Luiz Fernando de Paula (Baixo).

A sonoridade da Quintessente é densa, pendendo em algumas ocasiões para o Doom Metal, outras para o Gothic Metal, com inserções de elementos Prog e de Death Metal, contendo várias melodias de teclado, vocais suaves e vocais rasgados. O álbum se inicia com a música que deu origem ao primeiro single do novo trabalho, ‘The Belief Of The Mind Slaves’, os teclados soam muito aparentes e trabalham muito bem a favor da música.

Ao longo da audição podemos perceber várias influências da Quintessente, mesmo assim, a banda carioca mostra uma sonoridade madura e particular, os elementos são bem encaixados e os instrumentos com os volumes bem acertados.

‘Delirium’ tem início vibrante e se mostra como um dos destaques,  ‘A Sort Of Reverie’ possui um contraste entre vocais muito interessantes entre Cristina e André. ‘My Last Oath’ tem um tom um pouco mais épico, mas não destoa da proposta da banda.

‘Essente’ é mais cadenciada do que suas antecessores, a veia Doom se mostra mais aparente nesta canção. ‘Eyes Of Forgiveness’ retoma o peso e antecede ‘L’Eternità Offerto’, mais um grande momento da banda, onde o ouvinte é transportado para outra esfera celeste com tantos elementos e detalhes na música. 

‘Unleash Them’ e ‘Reflections Of Reason’ mantém a pegada do álbum, enquanto ‘Matronæ Gaia (Chapter II)’ fecha o álbum e é a única faixa que faz menção aos trabalhos anteriores da banda (o ‘Chapter I’ foi lançado no registro “Lonely Seas Of A Dreamer”), uma música mais arrastada com sonoridade progressiva e vocais góticos. Memorável. 

“Songs From Celestial Spheres” é um trabalho primoroso, que mostra a qualidade indiscutível de um grande nome do cenário carioca. Deve ser ouvido com muita atenção para poder aproveitar cada pequena nota e detalhe. Vale conferir. Nota: 09.

 

Faixas:

01. The Belief of the Mind Slaves
02. Delirium
03. A Sort of Reverie
04. My Last Oath
05. Essente
06. Eyes of Forgiveness
07. L’Eternità Offerto
08. Unleash Them
09. Reflections of Reason
10. Matronæ Gaia (Chapter II)

thumbnail_Axes Connection_A Glimpse Of Illumination_Cover_Low.jpg

O Axes Connection é um projeto dos irmãos Márcio Machado (Vocal) e Marcos Machado (Guitarra) que ficou engavetado por mais de 15 anos e que felizmente vem conhecer a luz do dia. Juntamente com os irmãos, temos Magoo Wise (Baixo) e Cristiano Hulk (Bateria).

“A Glimpse Of Illumination” foi gravado e mixado por Felipe Haider do Felipe Live Studio, masterizado por Benhur Lima e tem bela arte de Aldo Marcondes. Musicalmente o trabalho traz um Hard N’ Heavy visceral, que em alguns momentos nos lembra a fase quarteto do Dr. Sin. Uma excepcional mistura de peso e groove.

O álbum abre com ‘The Meaning Of Evil’, mostrando bem o direcionamento do álbum, ‘Rearrage Yourself’ tem uma boa levada. ‘Wisdom Is The Key’ é uma das mais legais do registro.

“A Glimpse Of Illumination” é um álbum bastante coeso, a audição é gostosa, um convite a se levantar, pular, tocar air guitar, enfim, contagiante. Outros destaques ficam por conta da pesada ‘The Gates’ e a viagem sonora de ‘Jouney To Forever’ complementada pela instrumental ‘Skyline’.

Um álbum acima da média, de uma banda promissora. Peso, velocidade, groove, experimentações progressivas, baladas, tudo o que você imaginar, você encontra em “A Glimpse Of Illumination”. Quer ouvir um som contagiante, curtir e agitar muito? – Ouça o Axes Connection. – Nota: 08.

Faixas:

01. The Meaning Of Evil
02. Rearrage Yourself
03. Wisdom Is The Key
04. Use The Reason
05. Prepare Your Soul
06. The Gates
07. A Glimpse Of Illumination
08. Journey To Forever
09. Skyline
10. The True Connection