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É muito legal ver boas e promissoras bandas surgindo de cada Estado do Brasil. Desta vez, vamos falar um pouco da banda Heavenless, a banda vem do Rio Grande do Norte e apresenta seu primeiro álbum, “Whocantbenamed” ou “Who Can’t Be Named”.

O álbum chama a atenção pela arte sombria exposta na capa, que já indica o que estamos prestes a ouvir, peso, muito peso. A banda é formada por Kalyl Lamarc (Vocal / Baixo), Vinicius Martins (Guitarra) e Vicente (Bateria).

‘Enter Hades’, abre as portas do Inferno para o ouvinte, som pesado, sem firulas ou rodeios, direto e certeiro. Uma perfeita união entre o Death e o Thrash Metal. Já posso imaginar rodas e rodas se abrindo com a execução dessa música. Sem tempo para respirar, ‘Hopeless’, mantém o atropelo iniciado em ‘Enter Hades’, a faixa é o segundo single do álbum e ganhou um vídeo bastante reflexivo, é só procurar no Youtube.

“The Reclaim’ é uma faixa mais cadenciada e chega a flertar com o Doom Metal, som arrastado e obscuro, dando continuidade temos ‘Hatred’, o primeiro single apresentado pela banda, e ‘Soothsayer’, ambas apresentam o som pesado característico do Heavenless, como nas primeiras faixas.

O registro segue com ‘Odium’, mais uma que deve funcionar bem ao vivo e massacrar o pescoço do ouvinte. ‘Deceiver’ e ‘Point-Blank’ encerram o álbum mantendo a agressividade imposta pelo trio.

Produção primorosa, músicos e execução bem acima da média, com certeza a banda tem tudo para trilhar um caminho bem sucedido, vocais agressivos, cozinha marcante e riffs pesados, mistura certeira para um trabalho de qualidade. Nota 09.

 

Faixas:

01. Enter Hades
02. Hopeless
03. The Reclaim
04. Hatred
05. Soothsayer
06. Odium
07. Uncorrupted
08. Deceiver
09. Point-Blank

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“Invasão Alienígena” é o primeiro EP da banda Tupi Nambha, lançado originalmente em mídias digitais em 2016 e ganhando versão em formato físico agora em 2017, o álbum traz sete canções, com quase 30 minutos de duração, contando um pouco da cultura indígena e seu contato com o homem branco.

A banda brasiliense formada por Marcos Loiola (Vocal), Rogerio Delevedove (Guitarra), traz uma sonoridade única, mesclando elementos regionais ao Heavy Metal, com vocalizações em Tupi. O Tupi Nambha faz parte do projeto, ou movimento, Levante do Metal Nativo, que juntamente com as bandas Aclla, Armahda, Arandu Arakuaa, Cangaço, Hate Embrace, MorrigaM, Tamuya Thrash Tribe e Voodoopriest, visa justamente essa união dos ritmos brasileiros ao Heavy Metal.

Como o nome deixa claro, a banda conta fatos ocorridos, assim como os costumes da tribo Tupinambá. O álbum inicia com ‘Invasão Alienígena’, faixa que dá nome ao EP, o som é bem consistente e as doses entre elementos indígenas e o peso do Metal estão bem equilibradas.

A segunda faixa é ‘Antropofagia’, a música mantém a pegada da faixa antecessora e funciona igualmente muito bem, ‘Tribo Em Guerra’ traz um pouco mais de peso em seu início, mas depois entra em uma cadência tribal bem elaborada, com pontes e refrão contagiantes, com certeza, apesar do Tupi não ser tão difundido, essa música será cantada a plenos pulmões se executada ao vivo.

‘Tupi Nambha’ é um pouco mais experimental com um riff bem marcado, já ‘Galdino Pataxó’ une Heavy Metal ao Maracatu e é uma faixa que pode chegar a ganhar destaque em várias mídias, levando um novo público a conhecer a banda. 

‘Feiticeiro’ é a penúltima faixa, um pouco mais pesada do que as demais, mas mantendo a essência da sonoridade do Tupi Nambha, fechando o álbum e fazendo uma ponte com a temática abordada em ‘Feiticeiro’, temos ‘Ayahuasca’, música que fala sobre a bebida sacramental alucinógena, que liga os pajés ao mundo espiritual.

O álbum contou com produção de Caio Cortonesi , um excelente trabalho diga-se de passagem, deixando todos os elementos musicais bem audíveis e coesos. A arte ficou por conta de João Rafael, uma arte bem orgânica que casa muito bem com a proposta da banda. Não deixe de conferir. Nota: 09.

Faixas:

01. Invasão Alienígena
02. Antropofagia
03. Tribo em Guerra
04. Tupi Nambha
05. Galdino Pataxó
06. Feiticeiro
07. Ayahuasca

Canábicos: “Intenso”

Publicado: 16/10/2017 por Pedro Mello em News, Resenhas CD's, Uncategorized
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“Intenso” é o quarto álbum da banda mineira Canábicos. A banda formada por Clandestino (Vocal), Murcego Gonzalez (Guitarra / Bandolim), Mestre Mustafa (Bateria / Percussão) e M.M (Baixo) imprime um contagiante e dançante Classic Rock.

O registro possui uma capa simples e tão complexa ao mesmo tempo, acertadíssima escolha da banda. São oito faixas, que totalizam algo em torno de 31 minutos. As influências da banda ficam em torno de bandas como Beatles, Black Sabbath, Rolling Stones e Led Zeppelin.

‘Planeta Estranho’ é a faixa de abertura e mostra que a banda não está para brincadeiras, as guitarras imprimem um bom ritmo e mostra a identidade da banda. ‘Fora da Lei’ vem em uma pegada mais calcada no Rock Nacional dos anos 80, utilizando as boas características desta safra de bandas de forma consciente e precisa, com boas variações rítmicas sem se perder aos clichês maçantes da época.

A faixa que dá nome ao álbum, ‘Intenso’ tem um início quase recitado, e traz uma sonoridade viajante. ‘Não faz Sentido’ é uma daquelas músicas que quase que hipnoticamente te prendem e fazem você querer começar a cantar, acompanhando Clandestino. Na sequência temos ‘Lei do Cão’, que chega com um com um refrão bem grudento, seguindo a proposta da banda sem soar repetitiva. ‘Viagem Espacial’ e ‘Rotina’ fecham o álbum, mantendo a pegada inicial da banda.

Vale lembrar que a banda foi criada em 2013 e até 2015, lançou um álbum por ano. “La Bomba” (2013), “Reféns da Pátria” (2014) e “Alienígenas” (2015).  Se você achou que a banda iria por uma linha de apologias, incursões de Reggae e coisas assim, esqueça. Classic Rock na essência com alguns flertes com o – e porque não? – elementos da safra do Rock nacional dos anos 90. Intensifique-se. Nota: 08,5.

Faixas:

01. Planeta Estranho
02. Fora da Lei
03. Intenso
04. Não Faz Sentido
05. Lei do Cão
06. Viagem Espacial
07. Rotina
08 – Eu Não Sei o Que Vai Ser de Mim

Quintessente-Songs-From-Celestial-Spheres.jpg

Após o lançamento de duas demos, “The Mask Of Dead Innocence” (1996) e “Lonely Seas Of A Dreamer” (2000), a banda carioca Quintessente entrou em um hiato de aproximados 15 anos e retornou aos palcos abrindo para os mineiros do Tuatha de Danaan no Rio de Janeiro, em Maio de 2016. No decorrer da apresentação a banda anuncia o lançamento do single “The Belief Of The Mind Slaves” (2016) e chega agora em 2017 ao primeiro full lenght da banda, intitulado, “Songs From Celestial Spheres”.

O trabalho já chama bastante atenção pelo belíssimo material gráfico e mostra que como algumas bebidas, o longo tempo de espera tornou o trabalho mais encorpado. A banda conta com os músicos André Carvalho (Vocal), Cristiano Dias (Guitarra), Cristina Müller (Teclado/ Vocal), Leo Birigui (Bateria) e Luiz Fernando de Paula (Baixo).

A sonoridade da Quintessente é densa, pendendo em algumas ocasiões para o Doom Metal, outras para o Gothic Metal, com inserções de elementos Prog e de Death Metal, contendo várias melodias de teclado, vocais suaves e vocais rasgados. O álbum se inicia com a música que deu origem ao primeiro single do novo trabalho, ‘The Belief Of The Mind Slaves’, os teclados soam muito aparentes e trabalham muito bem a favor da música.

Ao longo da audição podemos perceber várias influências da Quintessente, mesmo assim, a banda carioca mostra uma sonoridade madura e particular, os elementos são bem encaixados e os instrumentos com os volumes bem acertados.

‘Delirium’ tem início vibrante e se mostra como um dos destaques,  ‘A Sort Of Reverie’ possui um contraste entre vocais muito interessantes entre Cristina e André. ‘My Last Oath’ tem um tom um pouco mais épico, mas não destoa da proposta da banda.

‘Essente’ é mais cadenciada do que suas antecessores, a veia Doom se mostra mais aparente nesta canção. ‘Eyes Of Forgiveness’ retoma o peso e antecede ‘L’Eternità Offerto’, mais um grande momento da banda, onde o ouvinte é transportado para outra esfera celeste com tantos elementos e detalhes na música. 

‘Unleash Them’ e ‘Reflections Of Reason’ mantém a pegada do álbum, enquanto ‘Matronæ Gaia (Chapter II)’ fecha o álbum e é a única faixa que faz menção aos trabalhos anteriores da banda (o ‘Chapter I’ foi lançado no registro “Lonely Seas Of A Dreamer”), uma música mais arrastada com sonoridade progressiva e vocais góticos. Memorável. 

“Songs From Celestial Spheres” é um trabalho primoroso, que mostra a qualidade indiscutível de um grande nome do cenário carioca. Deve ser ouvido com muita atenção para poder aproveitar cada pequena nota e detalhe. Vale conferir. Nota: 09.

 

Faixas:

01. The Belief of the Mind Slaves
02. Delirium
03. A Sort of Reverie
04. My Last Oath
05. Essente
06. Eyes of Forgiveness
07. L’Eternità Offerto
08. Unleash Them
09. Reflections of Reason
10. Matronæ Gaia (Chapter II)

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O Axes Connection é um projeto dos irmãos Márcio Machado (Vocal) e Marcos Machado (Guitarra) que ficou engavetado por mais de 15 anos e que felizmente vem conhecer a luz do dia. Juntamente com os irmãos, temos Magoo Wise (Baixo) e Cristiano Hulk (Bateria).

“A Glimpse Of Illumination” foi gravado e mixado por Felipe Haider do Felipe Live Studio, masterizado por Benhur Lima e tem bela arte de Aldo Marcondes. Musicalmente o trabalho traz um Hard N’ Heavy visceral, que em alguns momentos nos lembra a fase quarteto do Dr. Sin. Uma excepcional mistura de peso e groove.

O álbum abre com ‘The Meaning Of Evil’, mostrando bem o direcionamento do álbum, ‘Rearrage Yourself’ tem uma boa levada. ‘Wisdom Is The Key’ é uma das mais legais do registro.

“A Glimpse Of Illumination” é um álbum bastante coeso, a audição é gostosa, um convite a se levantar, pular, tocar air guitar, enfim, contagiante. Outros destaques ficam por conta da pesada ‘The Gates’ e a viagem sonora de ‘Jouney To Forever’ complementada pela instrumental ‘Skyline’.

Um álbum acima da média, de uma banda promissora. Peso, velocidade, groove, experimentações progressivas, baladas, tudo o que você imaginar, você encontra em “A Glimpse Of Illumination”. Quer ouvir um som contagiante, curtir e agitar muito? – Ouça o Axes Connection. – Nota: 08.

Faixas:

01. The Meaning Of Evil
02. Rearrage Yourself
03. Wisdom Is The Key
04. Use The Reason
05. Prepare Your Soul
06. The Gates
07. A Glimpse Of Illumination
08. Journey To Forever
09. Skyline
10. The True Connection

Noturnall: “9”

Publicado: 08/08/2017 por Pedro Mello em News, Resenhas CD's, Uncategorized
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Noturnall 9

O mais novo lançamento da banda Noturnall, foi envolto em uma imensa divulgação nas redes sociais, contando com palestras, jogos, promoções, liberação de todo o álbum para audição e download, chegando ao ápice com um show transmitido ao vivo pela Internet.

Com o singelo título, “9”, sujeito a várias especulações, o álbum ainda marca o retorno do guitarrista Leo Mancini ao lado de seus companheiros Thiago Bianchi (Vocal), Fernando Quesada (Baixo), Junior Carelli (Teclado) e Aquiles Priester (Bateria).

A arte da capa traz a “rainha zumbi”, mascote adotada pela banda e seus fãs, em um trono com diversas referências aos integrantes, a frente de um cenário pós apocalíptico. Arte complexa, com muitos detalhes, que ficará excelente em uma edição em LP do álbum.

Sugestivamente, o álbum possui nove faixas e traz pouco mais de 40 minutos de música. O álbum abre com “Hey!”, e logo na primeira faixa já percebemos uma maior maturidade da banda. Se nos álbuns anteriores, houve uma certa queixa devido o volume dos instrumentos e algumas partes parecerem confusas, em “9”, tudo soa sem exageros.

“Change” é uma excelente composição com alguns momentos progressivos bem legais, “Wake Up!” traz um trabalho bacana de voz de Thiago Bianchi, que me surpreendeu na forma que está interpretando as músicas ao longo do trabalho ouvimos.  Linhas limpas e melódicas, que deu destaque a sua voz.

“Moving On” possui momentos inspirados de teclados, seguida por “Mysterious” trazendo um lado mais épico a sonoridade da banda. “Hearts As One” é uma belíssima balada, com caráter beneficente de apoio a GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), o trabalho de cordas de Leo e Quesada soa com muita coerência e lembra um pouco o que Carelli e Quesada fizeram juntos com o projeto A.N.I.E. Vale lembrar também que a renda dos views no vídeo clip da música é revertida para a associação mencionada. Destaco também os apoiadores desta empreitada: Edifier Brasil , Eagle Instrumentos Musicais, EM&T Escola de Música e Tecnologia, Foggy Filmes, Estúdio Fusão e ONErpm. Clique e confira (https://youtu.be/-eW7ilUhas0).

O álbum recupera o peso com “What You Waiting For”, riff matador, com a bateria marcante de Aquiles Priester, o disco segue com “Shadows” e “Pain”, mantendo a integridade do material.

“9”, correspondeu as minhas expectativas quando falamos de músicos muito acima da média. Mesmo tendo gostado, mas nem tanto, dos álbuns anteriores, em minha singela opinião, este é o melhor trabalho da banda até o momento. Nota: 09 (juro que é mera coincidência).

Faixas:

1. Hey!
2. Change
3. Wake Up!
4. Moving On
5. Mysterious
6. Hearts As One
7. What You Waiting For
8. Shadows
9. Pain

 

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A banda Adrenaline Mob, recentemente passou por um fatídico acidente com o transporte da turnê, que vitimou o baixista Dave Z., lembrando que a banda perdeu o baterista AJ Pero em 2015, vítima de um ataque cardíaco. Felizmente, Russell Allen (Vocais), Mike Orlando (Guitarra) e Jordan Cannata (Bateria) escaparam ilesos.

Bem, depois desta triste atualização sobre a banda, vamos falar de coisa boa. “We The People” é o terceiro lançamento dos norte-americanos. O álbum foi lançado pela Century Media e no mercado brasileiro pela Hellion Records. O álbum traz 13 faixas, totalizando pouco mais de uma hora de música.

Em comparação aos outros trabalhos, “We The People” é o mais politizado deles, tratando de alguns temas atuais, como podemos notar pela arte da capa. A sonoridade não traz muitas novidades em relação ao ritmo já imposto pela banda. Não que isso seja ruim, um excelente e contagiante Hard N’ Heavy. Tudo bem acomodado, no bom sentido, por músicos excepcionais.

‘King Of The Ring’, abre o registro com uma pegada forte e a sonoridade clássica da banda, na sequência temos a faixa título, ‘We The People’, que mantém a levada e o ritmo contagiante. ‘The Killer’s Inside’ é mais cadenciada e tem um bom trabalho de bateria, além de Orlando sobrando no solo.

‘Bleeding Hands’ é a primeira balada do álbum, coisa que Allen tem feito com maestria a algum tempo. Isqueiros guardados, ‘Chasing Dragons’ retoma a cadência e traz uma bela levada rítmica e uma ponte para o refrão que certamente será cantada por todos se apresentada ao vivo. Em ‘Til The Head Explodes’, os vocais ganham alguns momentos mais rasgados e as vezes até meio funkeados.

What You’re Made Of ‘, é mais uma faixa tradicional da banda, assim como as seguintes: ‘Raise ‘Em Up’ e a pesada ‘Ignorance & Greed’. ‘Blind Leading the Blind’ é uma bela balada, bem emotiva. ‘Lords Of Thunder’ retoma a pegada da banda.

A última faixa do registro é um cover para a icônica “Rebel Yell”, originalmente gravada por Billy Idol, é a última gravação do baterista AJ Pero com a banda. Versão matadora.

Resumidamente, “We The people”, é um álbum bem acima da média, faixas com uma ótima cozinha rítmica, muito bem balanceada e audível, riffs e solos matadores de Orlando e os vocais precisos de Allen. Heavy, Hard, Prog, Baladas, tem para todos os gostos. Pode adquirir sem medo. Nota: 08,5

Faixas:

1. King of the Ring
2. We the People
3. The Killer’s Inside
4. Bleeding Hands
5. Chasing Dragons
6. Til the Head Explodes
7. What You’re Made Of 
8. Raise ‘Em Up
9. Ignorance & Greed
10. Blind Leading the Blind
11. Violent State of Mind
12. Lords of Thunder
13. Rebel Yell (Billy Idol Cover)