Arquivo da categoria ‘Resenhas Shows’

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The Pretty Reckless no palco do VivoRio.

Cinco anos após sua primeira passagem pelo Brasil, a banda norte-americana The Pretty Reckless retorna para quatro shows no país. A banda capitaneada pela atriz, modelo e cantora Taylor Michel Momsen, acompanhada pelo guitarrista Ben Phillips, o baixista Mark Damon e o exímio baterista Jamie Perkins, se apresentou no VivoRio no último dia 09 de Março.

O The Pretty Reckless subiu ao palco pontualmente as 21:30 e foi ovacionado logo de cara pelo bom público presente. Este composto em sua grande maioria por cidadãos com faixa etária abaixo dos 25 anos. ‘Follow Me Down’ foi a escolhida para abrir o show, a música também abre o álbum “Going To Hell”, lançado em 2014, seguida por “Since You’re Gone”, presente no debut, “Light Me Up” (2010).

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Taylor passa segurança no palco e o ocupa como poucos. Para os que ainda não estão muito acostumados com o som da banda, o som mescla doses de grunge, punk e um hard rock visceral. O público, talvez pela maioria ser de meninas, não apresentavam cenários de “empurra-empurra” durante as músicas, algumas transmitiram sua agressividade sem blusas e fitas isolantes cobrindo os mamilos.

Um dos pontos altos do show foi a execução de ‘Make Me Wanna Die’, hit da banda desde 2010 e que fora cantada praticamente a capela pelo público presente. Pelas feições de Ben Phillips e Jamie Perkins, a banda ficou realmente surpresa com tamanho retorno.

Além das músicas antigas, músicas novas, como ‘Oh My God’, ‘The Walls Are Closing In / Hangman’, ‘Prisoner’ e ‘Who You Selling For’, todas integrantes do álbum “Who You Selling For”, lançado em 2016, foram cantadas por todos os presentes.

O The Pretty Reckless tem mostrado uma grande evolução desde seu primeiro lançamento em 2010. Se no início da banda, além das músicas, a banda era lembrada pela performance sensual da vocalista Taylor Momsen, podemos dizer que a moça está muito mais comedida e ainda continua fazendo uma grande apresentação.

Outros destaques ficam para ‘Zombie’ e ‘Goin’ Down’ (fechando a apresentação), pedidas em uníssono pelo público. Uma apresentação correta, de uma banda competente e coesa com uma figura central marcante, que teve em uma hora e meia de show toda a platéia em suas mãos. Com certeza uma grande apresentação da The Pretty Reckless.

 

The Pretty Reckless Set List: Follow Me Down / Since You’re Gone / Oh My God / The Walls Are Closing In-Hangman / Make Me Wanna Die / My Medicine / Prisoner / Sweet Things / Light Me Up / Who You Selling For / Just Tonight / Zombie / Heaven Knows / Going to Hell / Take Me Down / Bis: Goin’ Down.

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Night Demon no Estúdio Hanói

Mais uma sexta-feira de calor no Rio de Janeiro e rumamos para o Estúdio Hanói em Botafogo para acompanhar a primeira apresentação dos californianos da Night Demon no Rio de Janeiro. Mais um grande evento da No Class Agency.

A apresentação aconteceria na Planet Music em Cascadura, mas devido a alguns problemas com a casa, o evento foi transferido para o Hanói. Como dissemos anteriormente, o Hanói é um estúdio e o espaço para o público acabou limitando a presença de 60 sortudos para ver a apresentação das bandas. Por outro lado, o pequeno espaço fez com que as apresentações ganhassem um clima intimista e deram um charme a mais.

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Unnature

A primeira banda a se apresentar foi a Unnature. A banda carioca que conta com Carina Pontes (Vocais), Rafael Luís (Guitarra), Ricardo Mariani (Guitarra), Thiago Amorim (Baixo) e Renato Larsen (Bateria), já possui um debut lançado, “Synthetic Nature” (2016).

Com um excepcional material em seu debut, nada mais justo do que a banda concentrar sua apresentação em cima das faixas contidas em “Synthetic Nature”, aliás, o álbum foi quase que tocado na íntegra, a única que ficou de fora foi ‘Miles Away’, substituída por um medley englobando vários momentos da carreira de Ronnie James Dio.

A banda é muito coesa e faltou um pouco de espaço para todos no “palco” improvisado, mas a coisa fluiu muito bem, as guitarras estavam bem alinhadas, assim como a cozinha rítmica. Os vocais rasgados de Carina mesclados a algumas linhas mais limpas são um grande atrativo. 

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Syren

A segunda banda a subir no “palco” foi a Syren. A banda capitaneada pelo vocalista Luiz Syren e que conta com Alirio Solano (Guitarra), Mauricio Martins (Baixo) e Julio Martins (Bateria), já possui dois registros gravados, “Heavy Metal” (2011), “Motordevil” (2015), e prepara um terceiro lançamento para breve.

A banda chegou com vontade e despejou seu Heavy Metal clássico em cima dos presentes. A locomotiva desgovernada tomou a todos de assalto, o timbre de Luiz Syren é bem peculiar e tem bastante personalidade, apesar de lembrar um bocado um certo vocalista inglês. A presença de palco do mesmo também é um fator positivo a ser considerado.

Alirio e Mauricio soam bem precisos nas cordas enquanto Julio agride as peles com um semblante de alegria estampado. Mauricio também é o responsável por algumas partes mais guturais em músicas como ‘Scourge Of Time’.  

Apesar da exemplar apresentação da banda, uma figurinha ilustre roubou a cena por alguns instantes, Ana Chamarelli de 5 anos de idade, filha do produtor Eduardo Chamarelli (THC Produções), se esbaldava de dançar na frente do “palco”. A pequena elogiou a banda e demonstrou que o Rock / Metal se aprende desde o berço, em casa. Parabéns ao paizão coruja! Outra figura ilustre no evento foi Rafael Rassan, guitarrista da Affront, o cara é uma figuraça, a personificação do bom humor.

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Jarvis Leatherby

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Armand John Anthony

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“Drink From The Callice, The Unholy Grail…”

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Dustin Squires

Término da apresentação da Syren, e era hora da debandada por algum líquido gelado para amenizar o calor, em poucos minutos fomos avisados que a Night Demon já começaria sua apresentação. E foi nesse momento, onde se juntaram um pouco mais de 60 pessoas na área do estúdio que o ar condicionado do lugar resolve parar.

Mas enfim, foda-se. Ainda era um show de Metal e apesar da caldeira, a maior parte não se importou, outros saíam, tomavam um ar e voltavam. Os californianos sentiram na pele não só o calor do público mas o calor do Rio de Janeiro de uma forma geral.

O trio composto por Dustin Squires (Bateria), Armand John Anthony (Guitarra) e Jarvis Leatherby (Baixo) mescla algumas doses de Punk ao Heavy Metal fazendo um som empolgante que nos remete aos tempos da NWOBHM. A banda conta com dois registros oficialmente lançados, o EP homônimo (2012) e o álbum “Curse of the Damned” (2015).

Se utilizando de músicas dos dois lançamentos, a banda abusou de músicas rápidas e incendiou o local. Não puderam faltar sons como: ‘Ritual’, ‘Night Demon’, ‘Satan’, ‘Screams In The Night’, ‘Full Speed Ahead’, ‘Heavy Metal Heat’, ‘Curse Of The Damned’.

‘The Chalice’ contou com a presença de um ceifador(!?) que oferecia seu cálice, fazendo alusão ao refrão da música. A icônica figura foi erguida e celebrada pelos presentes, a banda comentou que era a primeira vez do personagem em seu show. Com certeza eles nunca viram ou verão algo assim de novo.

A banda também aproveitou a ocasião para tocar uma música inédita, ‘Life On The Run’, que fará parte do próximo álbum da banda.

Como normalmente ocorre em seus shows, a Night Demon prestou homenagem a algumas bandas clássicas de Heavy Metal, não será difícil você achar eles tocando algo de Diamond Head ou Riot no Youtube, entre outros. Para o show do Rio foram desferidas ‘The Ripper’ do Judas Priest e fechando a noite ‘Wasted Years’ do Iron Maiden.

O público delirava e não era devido ao calor. Jarvis Leatherby é um vocalista insano e agitava sem parar, o pescoço do cara deve ter um sistema de suspensão automotivo embutido. O baixo cavalgava e apoiava a guitarra afiada de John Anthony que parecia bem animado interagindo com os presentes. Dustin foi preciso e mesmo com o desgaste típico, não se deixou abater e surrou as peles.

As bandas, muito acessíveis, ficaram a disposição dos presentes e não se importaram em tirar fotos, distribuir autógrafos e conversar com o público. Mais uma aula de harmonia no Metal. Parabéns ao público, bandas e a No Class!

 

Unnature Setlist: The End Is Here / Here’s My F* Hell /Aesthetics Of Arrogance / So Close / Shades Of Hate / Medley Dio / Hellucination / Death’s Commander / Death Machine.

Syren Setlist: Rebellion / Fighter / Eyes Of Anger / My Shadow / Heavy Metal / Motordevil / The End / Die In Paradise.

Night Demon Setlist: Screams In The Night / Curse Of The Damned / Satan / Full Speed Ahead / The Howling Man / Heavy Metal Heat / Mastermind / Lightning To The Nations / Life On The Run / The Chalice / Night Demon / The Ritual  / Wasted Years (Iron Maiden Cover).

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Uma semana após o grandioso Hell In Rio, era a vez de São Paulo homenagear o Heavy Metal nacional. Após 10 anos, o BMU (Brasil Metal Union) retorna com a mesma grandiosidade que sempre ostentou. A edição de 2016 contou com 10 bandas nacionais oriundas de várias partes do Brasil. A iniciativa de Richard Navarro, desde a primeira edição do BMU, é a de incentivar, divulgar e valorizar o cenário brasileiro.

A edição 2016 do BMU aconteceu no Tropical Butantã. Uma casa dotada de uma bela estrutura. Banheiros, bares, camarotes, um amplo espaço físico, telão que cobre toda a extensão do palco, excelente iluminação e sistema de som.

A abertura da casa aconteceu pontualmente as 12:00 hs. Os primeiros que chegaram foram contemplados com um CD do festival contendo uma música de cada banda que ia se apresentar. Com a primeira banda marcada para entrar no palco as 13:00 hs, o público pôde assistir ao show “Super Peso Brasil” no telão do Tropical Butantã.

Após a execução do Hino Nacional e a bandeira do BMU hasteada como backdrop, o Soulspell foi a primeira banda a subir no palco. A banda é formada por uma constelação de artistas e tem em seus álbuns uma temática fantasiosa nos moldes de uma Ópera Metal. A banda aproveitou a oportunidade para pré-lançar seu quarto álbum de estúdio, “The Second Big Bang”.

A programação do BMU seguiria então da seguinte forma, cada banda tocaria um set de 40 minutos e após o encerramento da apresentação, o público teria 20 minutos de clips, apenas de bandas nacionais, até a próxima apresentação. Com este planejamento, a cada hora redonda tínhamos uma nova banda no palco. Lembrando que eram 10 bandas, a primeira tocou as 13:00 hs, agora é só fazer as contas. Isso mesmo 10 horas de evento.

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A segunda banda da noite a se apresentar foi uma das lendas da coletânea “S.P Metal” , lançada no ano de 1984, o Salário Mínimo. China Lee  (Vocal) e Junior Muzilli (Guitarra), membros originais da banda continuam com a chama do Metal ainda acesa e anunciaram que estão preparando um novo álbum do Salário Mínimo, o sucessor de “Simplesmente Rock” de 2009. Completam a banda o insano baixista Diego Lessa, Daniel Beretta (Guitarra) e Marcelo Campos (Bateria). Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi quando os irmãos Paulo (o Paul X do Monster) e Carlos Anhaia subiram ao palco e China Lee dedicou a música ‘Cabeça Metal’ ao pai dos irmãos.

CG-11.jpgO Cangaço, trio formado por Magno Barbosa Lima (Vocal / Baixo), Rafael Cadena (Vocal / Guitarra) e Mek Natividade (Bateria) levou uma interessante mescla de Death Metal a sons nordestinos ao palco do BMU. Os recifenses contam com um álbum lançado, “Rastros” (2013) e fizeram uma apresentação bem coesa ao longo do set. Uma das gratas surpresas ficou por conta do cover de ‘Cavalos do Cão’, música de Zé Ramalho.

A quarta banda a subir no palco foi a Semblant. Recém contratados pelo selo de David Ellefson, baixista do Megadeth, a banda de Curitiba apresentou seu intrincado Gothic Metal. A banda contou com a performance de duas dançarinas em alguns momentos do show, mas nem precisava tanto para prender a atenção do público.SB-21.jpg

A banda conta com dois álbuns, “Last Night of Mortality” (2010) e “Lunar Manifesto” (2014) que traz como carro chefe a música ‘What Lies Ahead’, atingindo mais de 7 milhões visualizações no Youtube. O contraste das vocalizações entre Sergio Mazul e Mizuho Lin funcionam muito bem. Belíssima apresentação.

Bruno Sutter foi a atração seguinte do BMU, o músico apresentou material de seu disco solo, auto intitulado, lançado em 2015 e para muitos foi uma das surpresas do festival. Deixando o baixo por conta de ninguém mais, ninguém menos, do que Luís Mariutti (ex-Angra, Shama, atual About 2 Crash), Bruno teve maior liberdade para utilizar o palco. Bruno ainda conta em sua banda com os competentes Christian Oliveira (Bateria), Guilherme Mateus e Attilio Negri (Guitarra). 

Vindos da Bahia, o Headhunter D.C., subiu ao palco do BMU para celebrar os 30 anos da banda. A mesma promoveu um verdadeiro massacre sonoro e um verdadeiro culto ao Death Metal. O vocalista Sérgio Baloff exaltava o já consagrado 666 e pedia para que o público levantasse as mãos fazendo os chifres do Metal.

Relançando o álbum “In Unholy Mourning”, originalmente lançado em 2012, a apresentação contou com letras profanas, pesadas e que conseguiram prender bastante o público.

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20 minutos para colocar os pescoços no lugar, comprar algum merchandising, que aliás foram sumindo rapidamente das banquinhas das bandas, e aguardar o retorno de uma grande banda nacional, falamos da banda Monster, que estava inerte a 8 anos.

Adentrando ao palco com camisas de futebol americano, Paulo Anhaia ou Paul X (Vocal / Baixo), E.V. Sword (Bateria) e Daniel Iasbeck (Guitarra) fizeram um belo apanhado dos três álbuns lançados pela banda. Como a ocasião era especial, a banda ainda recebeu Alexandre Grunheidt (Ancesttral) e Carlinhos Anhaia no palco.MN-20.jpg

Emocionante apresentação do início ao fim. Ao término da última música do set, ‘Monster’, os presentes clamaram em uníssono por um retorno definitivo da banda. Bastante emocionado Paulo disse o quanto estava emocionado e que daquele jeito dava até vontade de tocar mais, vamos ver o que o futuro reserva.

NV-17.jpgAs thrashers da banda Nervosa subiram ao palco com a pegada habitual, sons fortes, rápidos e com muito peso. Acompanhando Fernanda Lira (Vocal / Baixo) e Prika Amaral (Guitarra) estava a baterista “estagiária” Luana. As meninas foram responsáveis pelas rodas mais intensas de mosh do festival. Fernanda quando subiu ao palco, disse que iriam causar e realmente causaram. O set foi todo em cima dos dois álbuns da banda: Agony (2016) e Victim of Yourself (2014). As meninas ficaram após o show atendendo aos fãs, que não foram poucos, na sua banquinha de merchandising, simpáticas e bem humoradas, deram atenção a todos.

Aliás, esse foi um ponto bacana do festival, a maior parte das bandas ficaram a disposição dos fãs para autógrafos e fotos, o respeito e admiração eram mútuos entre quem estava assistindo e aos que estavam em cima do palco.

A penúltima banda a se apresentar foi a gaúcha Hibria. A banda tinha tocado no fim de semana anterior no Rio de Janeiro e manteve a pegada em São Paulo. A banda já consagrada no cenário nacional e internacional veio com seu técnico Power Metal e encantou os fãs.

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O vocalista Iuri Sanson é uma figura única, o cara parece estar ligado em alta voltagem a todo momento, corre, salta, se mistura aos fãs, o cara é realmente um grande frontman. Aliados a esta potente presença de palco temos os precisos Ivan Beck (Baixo), Abel Camargo (Guitarra), Renato Osório (Guitarra) e o animal, no bom sentido, Eduardo Baldo (Bateria). A apresentação ainda contou com a participação do vocalista Mario Pastore. Show perfeito.

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Os mineiros do Tuatha de Danaan fecharam o BMU como sendo a banda que mais se apresentou no festival até hoje. Das sete edições, contando com esta, os caras apenas não tocaram na edição de 2005.

As músicas do Tuatha são um pouco longas e um atraso na entrada da banda fez com que seu set fosse um pouco mais curto. Bruno Maia interagiu bastante com os presentes e o Folk Metal rolou solto.

O BMU então chegava ao fim da edição 2016. Um dos festivais referência para as bandas nacionais e para o público brasileiro, um verdadeiro marco para a história do Heavy Metal nacional. Que a semente plantada e cultivada com tanto respeito e carinho por Richard Navarro possa ainda nos render bons frutos.

 

Soulspell Setlist: The Entrance / Labyrinth / Troy / Adrift / Dead Tree / Age Of Silence / A Secret Compartment.

Salário Mínimo Setlist: Delírio Estelar / Beijo Fatal / Anjo Da Escuridão / Dama Da Noite / Noite De Rock / Jogos De Guerra / Cabeça Metal.

Cangaço Setlist: Nação / Arcabuzado / Al Rasif / Rondon / Arretado / Bombardeio / Corpus / Cavalos do Cão / Cantar Às Excelências das Armas Brancas.

Semblant Setlist: Dark Of The Day / Mists Over The Future / Ode To Rejection / The Shrine / What Lies Ahead / Bursting Open / Incinerate.

Bruno Sutter: My Boss Is A Corpse / GrAttitude / Stalker / Socorro / Provoke Yourself / Haters Gonna Hate / Best Singer In The World / Galopeira.

Headhunter D.C.: Intro / Death Of Heresy / Stillborn Messiah / …And The Sky Turns To Black… / Am I Crazy? / Death Vomit / God’s Spreading Cancer / Hail The Metal Of Death.

Monster Setlist: Why Don’t You Wake Up / If You Can’t Trust Me / Fire (Burn) / At Last
The Show Is Not Over / Shut The Fuck Up / Monster.

Nervosa Setlist: Hypocrisy / Arrogance / Death! / Surrounded By Serpents / Intolerance  / Means War / Masked Betrayer / Hostages / Theory Of Conspiracy / Into Moshpit.

Hibria Setlist: Silent Revenge / Lonely Fight / Steel Lord On Wheels / Blinded By Faith / Leading Lady / Pain / Shoot Me Down / Tiger Punch.

Tuatha de Danann: We’re Back / Rhymes Against… / Land Of Youth / Tanpingaratan / The Brave / Dance Of The Little Ones / US.

 

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Enfim Novembro chegou! E como um belisco no braço nos mostrando que tudo era realidade, o Hell In Rio adentrou no Terreirão do Samba. O local, que ao longo dos anos abrigou uma infinita gama de estilos musicais, se rendera não ao Bloco da Bola Preta, mas ao imenso Bloco das Camisas Pretas.

Em um sábado chuvoso, que felicidade foi isso, um contingente considerável de bangers foi prestigiar a primeira edição deste novo festival. 16 bandas desfilaram, em dois dias, por vários sub-estilos do Rock Pesado fazendo a alegria dos presentes.

Bem, eu por motivos mais do que óbvios, nunca tinha estado no Terreirão do Samba. O espaço surpreendeu a muitos que estiveram lá. Uma área ampla, com infraestrutura fixa de alimentação e boxes que serviram para a exposição de produtos do festival e das bandas que ali estavam, além de um palco coberto e generoso. Falando em merchandising, os materiais das bandas estavam a um preço módico, o que facilitou e muito as aquisições dos produtos.

Tumultos, ou qualquer outra insinuação de violência não foram registradas, retirando um evento de soco passional, por parte de uma dama que estava presente, em seu respectivo parceiro. Petiscos e bebidas foram consumidos sem moderação e não causaram nenhum tipo de transtornos maiores.

Conversando com os comerciantes fixos, pertencentes a ACRBTARJ (Associacão Cultural e Recreativa Dos Barraqueiros do Terreirão do Samba e Adjacências do Rio de Janeiro, -ufa!), os mesmos elogiaram o público roqueiro comentando a falta de tumulto, a organização e principalmente a higiene dos que ali estavam.

Sábado.

A chuva caía moderadamente quando Bruno Sutter, músico, humorista, apresentador e assessor do filho do Deus Metal, Detonator, subiu ao palco para iniciar o festival. A primeira banda a se apresentar fora a Reckoning Hour. A banda carioca iniciou a tarde de sábado com seu Death Metal moderno e pesado, arrancando elogios dos presentes. A banda conta com um EP e um álbum no currículo (“Rise Of The Fallen” e “Between Death and Courage”, respectivamente), além de ter aberto recentemente os shows das bandas Children Of Bodom e The Black Dahlia Murder.

Com a programação correndo como o anunciado, a Perc3ption foi a segunda banda a subir no palco. Executando um Heavy Metal com doses de Progressivo, a banda de São Paulo, aproveitou para divulgar o álbum “Once And For All” (2016). Apesar de algumas falhas no equipamento de som, a apresentação se mostrou bem correta e os caras souberam usar bem o palco.

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O Satânico Dr. Mao e Os Espiões Secretos subiu ao palco ainda com o dia claro e desferiram seu punk rock ácido com pitadas de humor. A banda que emerge da lendária Garotos Podres levantou os presentes ao som das clássicas ‘Johny’, ‘Nasci Pra Ser Selvagem’ e a icônica ‘Papai Noel Velho Batuta’. Lógico que a banda não podia deixar de divulgar novas músicas como ‘Espião Secreto’ e ‘Repressão Policial’.

O som estava alto e claro durante as apresentações, o clima de camaradagem e harmonia permeava durante todo o evento. Com a noite chegando e mesmo com a chuva apertando, a banda Oitão entrou no palco com seu som nervoso. Atraindo uma grande parcela de público a pista com sua mescla de Punk com Hardcore, a banda fez surgir inúmeros redemoinhos humanos no Hell In Rio. Os destaques ficam para o insano guitarrista Ciero e o vocalista e chefe de cozinha Henrique Fogaça.

Claustro-11.jpgCom o álbum recém lançado, “Download Hatred”, o Claustrofobia fez uma brilhante apresentação com seu Thrash visceral. Com mais de 20 anos de estrada, a unidade formada pelos irmãos Caio e Marcus D’angelo juntamente com o baixista Daniel Bonfogo acrescida pelo novo guitarrista Douglas Prado, não economizou nas músicas. A banda deixou claro que não estava lá para conversinhas e aproveitou ao máximo o tempo que a banda teve para fazer seu som.

Hibria-11.jpgO primeiro dia do festival já estava na metade e mesmo assim os presentes ainda se mostravam animados quando os gaúchos do Hibria começaram a desfilar seu técnico Power Metal. O vocalista Iuri Sanson e companhia tomaram de assalto o palco e fizeram um belo apanhado dos 12 anos da banda. ‘Leading Lady’, uma das novas composições do Hibria que constam no EP – “XX”, funcionou bem ao vivo e animou os presentes. Obviamente não poderia faltar a clássica ‘Tiger Punch’, presente no álbum “The Skull Collectors” de 2008. Apresentação matadora.

O Hardcore teve seu espaço com a banda Dead Fish. A galera agitou bastante ao som dos capixabas. O Dead Fish é famoso por suas músicas de teor político e com uma apresentação frenética contagiou os presentes.Almah-1.jpg

A penúltima atração da noite foi a banda capitaneada pelo vocalista Edu Falaschi, Almah. A banda sofreu algumas reformulações e hoje conta, além de Edu, com Marcelo Barbosa (Guitarra), Diogo Mafra (Guitarra), Raphael Dafras (Baixo) e Pedro Tinello (Bateria).

A banda divulga seu mais novo álbum, intitulado E.V.O. A banda passou rapidamente por temas mais antigos e algumas canções do Angra, banda em que Edu fora vocalista. Aproveitando a ocasião, o vocalista Fabio Lione (Angra) se juntou  a banda para cantar ‘Nova Era’, música eternizada com a voz de Edu no álbum “Rebirth”. Fato que fez com que alguns barbados chorassem.

Sepultura-2.jpgFechando o primeiro dia do Hell In Rio com chave de ouro, nada mais do que a maior banda de metal do Brasil, Sepultura. Andreas Kisser (Guitarra), Paulo Jr. (Baixo), Eloy Casagrande (Bateria) e Derrick Green (Vocal) levaram o público a loucura. Ainda fazendo a turnê de 30 anos da banda, que já deve durar uns 2 anos na estrada, o Sepultura não poupou os fãs.

Hinos como ‘Troops Of Doom’, ‘Kairos’, ‘Territory’,  ‘Arise’ e ‘Beneath The Remains’ fizeram a alegria dos presentes. A banda ainda executou a nova faixa ‘I Am The Enemy’ que estará presente no álbum “Machine Messiah”, além da comemorativa ‘Sepultura Under My Skin’. Como sempre uma aula de carisma e técnica aliada ao peso do Metal.

Domingo.

A produção do Hell In Rio se preocupou com seu público e os trabalhos do segundo dia de festival começaram mais cedo. Dia claro, sem chuva e a primeira banda do dia foi a carioca Hatefulmurder. Contando com Renan Ribeiro (Guitarra / Vocal), Thomás Martinoia (Bateria), Felipe Modesto (Baixo) e Angelica Bastos (Vocal) em seu line-up, a banda tomou de assalto o palco do Hell In Rio e atacou com seu Death Metal. O público se manifestou de forma bem positiva, principalmente ao som de ‘My Battle’, nova música de trabalho da banda.

Dando sequencia ao evento tivemos a banda Eros. A banda volta aos palcos depois de 20 anos, talvez por este hiato a banda parecesse meio presa, contudo a apresentação foi correta e espero que tenha servido de aquecimento para que voltem com mais pegada.

P46-3.jpgPara a alegria da galera do Metalcore, duas das bandas mais proeminentes desta nova safra, John Wayne e Project 46, as bandas contaram com um som muito alto e em alguns momentos a coisa embaralhava e ficava bem estridente. Mesmo assim, as rodas e a curtição não pararam.

Como uma das maiores atrações do Hell In Rio era a diversidade, a banda independente mais famosa do Brasil, as Velhas Virgens arrancaram coros, risadas e muito mais dos presentes. Misturando o Rock ao Blues, a banda vem divulgando a recente coletânea , “Garçons do Inferno”, e levou ao palco do festival um verdadeiro ‘Best Of’ de sua longa carreira. Lembrando que essa pode ser a última turnê com Paulão de Carvalho a frente da banda. Longa vida ao Rock putaria!

A seriedade voltou quando o Korzus subiu no palco do Terreirão do Samba, o Thrash Metal rolou solto e com certeza a veterana banda promoveu um dos melhores shows do festival. As lendas vivas do Metal nacional, Marcelo Pompeu (Vocal), Dick Siebert (Baixo), Rodrigo Oliveira (Guitarra), Heros Trench (Guitarra) e Antonio Araujo (Bateria), não pouparam no peso.

O furor era tanto que Pompeu e Siebert desceram e se misturaram com a galera. A banda tocou clássicos como ‘Correria’ e ‘Guerreiros do Metal’, assim como as novas, na verdade nem tanto, ‘Vampiro’ e ‘Legion’.

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Noticiados como headliners do festival e sofrendo uma mudança no meio do evento, os beberrões do Matanza foram os próximos a se apresentar no Hell In Rio, a carismática banda tem um público grande e fiel. O Matanza contou com um dos melhores sets de luz do evento.

O set foi grande e fez a alegria dos fãs da banda. Devido ao horário e a esta mudança no line-up do evento, algumas pessoas começaram a ir embora, aliás era domingo e segunda-feira seu chefe provavelmente não ia querer estar interessado onde você estivera na noite de domingo.

Aproveitando os atrasos e percalços nos últimos momentos do festival. O mestre de cerimônias, Bruno Sutter, aproveitou o momento para cantar uma música de seu disco solo. Com uma base pré gravada, Bruno deu uma pequena canja com “My Boss Is a Corpse”.

Angra-21.jpgPara alguns a mudança foi justa, para outros nem tanto, o fato foi que o Angra foi a banda a fechar o maior festival de Metal do Rio de Janeiro. Fazendo um pequeno desvio da turnê de 20 anos de Holy Land, o Angra optou por fazer um set mais abrangente.

‘Newborn Me’ (“Secret Garden”, 2015) foi a primeira a ser executada, seguida por ‘Wings Of Reality’ (“Fireworks”, 1998), foram lembradas também ‘Time’ (“Angels Cry”, 1993), ‘Make Believe’ (“Holy Land”, 1996) e outras. A banda se mostrava bem empolgada e os que ficaram até o término do show puderam ver uma brilhante apresentação.

A dobradinha de guitarras entre Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa tem funcionado muito bem. Felipe Andreoli, na minha singela opinião, continua sendo o mais técnico da banda, Bruno Valverde aparenta estar mais a vontade e o italiano Fabio Lione continua cantando horrores, no bom sentido.

A banda contou ainda com a participação do percussionista Dede Reis e de Bruno Sutter na faixa Carry On, que a princípio não estaria no set. E este foi o fim, ou melhor, o início da história do maior festival de Heavy Metal do Rio de Janeiro. Longa vida ao Hell In Rio!

Reckoning Hour Setlist: Misguised / Condemned To Fail / Eye For An Eye / Newborn Generation / Dead Man Walking / Times Of Trial.

Perc3ption Setlist: Persistence / Makes The Difference / Magnitude 666 / Oblivion’s Gate / Surrender.

O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos Setlist:  

Claustrofobia Setlist: 

Oitão Setlist: Intro / Pobre Povo / 4º Mundo / Podridão Engravatada / Doença / Não Me Entrego Não / Faixa de Gaza / Vida Ruim (Ratos de Porão Cover) / Imagem da Besta.

Hibria Setlist: Silent Revenge / Tightrope / Steel Lord On The Wheels / Leading Lady / Lonely Fight / Silence Will Make You Suffer / Blinded By Faith / Pain / Shoot Me Down /  Tiger Punch.

Dead Fish Setlist: 

Almah Setlist: Age of Aquarius / Wings of Revolution / Beyond Tomorrow / Nova Era (Angra Cover) / Living and Drifting / Drum Solo / Higher / Heroes of Sand (Angra Cover) / Raise the Sun / Speranza / Birds of Prey / Believer.

Sepultura Setlist: Troops of Doom / Kairos / Slave New World / Breed Apart / Desperate Cry / Dusted / I Am The Enemy / Convicted in Life / Dialog / The Vatican / Territory / Beneath the Remains / Arise / Refuse-Resist / Sepultura Under My Skin / Ratamahatta / Roots Bloody Roots.

Hatefulmurder Setlist:

Eros Setlist:

John Wayne Setlist:

Project 46 Setlist: Erro +55 / Capa de Jornal / Atrás das Linhas Inimigas / Violência Gratuita / Foda-se (Se Depender de Nós) / Acorda pra Vida.

Velhas Virgens Setlist:

Korzus Setlist: Guilty Silence / Raise Your Soul / Never Die / Bleeding Pride / What Are You Looking For / Discipline of Hate / Vampiro / Truth / Correria / Guerreiros do Metal / Legion.

Matanza Setlist: O Chamado Do Bar / Ressaca Sem Fim / A Arte Do Insulto / Sabendo Que Posso Morrer / Meio Psicopata / Eu Não Gosto de Ninguém / Mulher Diabo / Pandemonium / Odiosa Natureza Humana / Carvão, Enxofre E Salitre / Country Core Funeral / Pé na Porta, Soco na Cara / Clube dos Canalhas / Tempo Ruim / Ela Roubou Meu Caminhão / Estamos Todos Bêbados / Interceptor V-6.

Bruno Sutter Setlist: My Boss Is a Corpse.

Angra Setlist: Newborn Me / Wings of Reality / Nothing to Say / Time / Z.I.T.O. / Waiting Silence / Make Believe / Final Light / Holy Land / Angels and Demons / Rebirth / Nova Era / Carry On.

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O Ratos de Porão, a maior banda Punk do Brasil, retorna ao Circo Voador para comemorar os 25 anos de “Anarkophobia”, o álbum mais Thrash Metal da carreira da banda. O Ratos sempre foi uma banda que conseguiu agradar a vários públicos diferenciados, dito isto, não foi surpresa de termos a banda Enterro, Black Metal, e os punks californianos do Mc RAD.

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Ozorium (Enterro)

A primeira banda a subir no palco foi a Enterro, banda carioca que conta em seu line com alguns ex-membros do Matanza, a banda desferiu um som extremo e pesado. Alex Kaffer (Baixo / Vocal), Doneedah (Guitarra), Ozorium (Guitarra) e Perazzo (Bateria) agitaram os presentes e foram responsáveis por abrirem as primeiras rodas da noite.

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Chuck Treece (Mc RAD)

Os caras possuem dois álbuns – “Nunc Scio Tenebris Lux” (2008) e “The Bell Of Leprous” (2011). Se você curte um som mais extremo, visceral, aconselho ouvir a banda, vai realmente se surpreender.

Após o arregaço proporcionado pelo Enterro, o trio Mc RAD entra no palco e apresenta seu set. Contando com o skatista, produtor, guitarrista e vocalista, Chuck Treece, apoiado pelo baixista do Ratos, Juninho e Rafael Stringasci nas baquetas,  o Mc RAD apresentou a sonoridade que mais destoava do cast da noite. Um punk mesclado a algumas nuances de Jazz, claro, são bons músicos, mas a sonoridade não pareceu empolgar muito os presentes.

E era a hora do aniversariante, Anarkophobia, o quinto álbum de estúdio do Ratos de Porão, na íntegra. João Gordo (Vocal), Jão (Guitarra), Boka (Bateria) e Juninho (Baixo) chegam com suas pedradas certeiras, é impressionante como um álbum escrito a 25 anos atrás ainda continua com letras tão atuais.

A banda estava sedenta. O show se dividiu em duas partes distintas, a primeira com o álbum “Anarkophobia” na íntegra, incluindo os petardos: ‘Contando os Mortos’, ‘Morte ao Rei’, ‘Sofrer’, ‘Ascensão e Queda’, ‘Mad Society’, ‘Ódio 3’, a faixa título, ‘Anarkophobia’, ‘Igreja Universal’, com uma roda insana, o cover para ‘Commando’ dos Ramones e ‘Escravo da TV’.

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Juninho (Ratos de Porão)

O tempo não parece passar para este quarteto, o vigor da Jão e Juninho são incontestáveis, assim como as tiradas sarcásticas e certeiras de João Gordo quanto a política nacional. Rodas de Mosh e alguns Stages Dives deram o teor do evento. Nada mais Ratos do que isso.

A segunda parte do show foi destinada a outros clássicos da carreira da banda, sons como: Conflito Violento’ (“Século Sinistro”, 2014), ‘Crucificados Pelo Sistema’ (homônimo de 1984), ‘Máquina Militar’, ‘Aids, Pop, Repressão’, ambas presentes no álbum “Brasil” de 1989 e ‘Crise Geral’ (“Dirty and Aggressive”, 1987) foram entoadas pelos presentes.

Público ensandecido na pista, músicas entoadas em uníssono, rodas de Mosh, Stage Dives que deixaram os seguranças loucos, som pesado, rebeldia com causa. Isso é o Ratos de Porão no Circo Voador.

Ratos de Porão Setlist: Contando os mortos /  Morte ao rei / Sofrer / Ascensão e Queda / Mad society / Ódio 3 / Anarkophobia / Igreja Universal / Commando (Ramones cover) / Escravo da TV / Bis: / Conflito Violento / Morrer / Crocodila / Crucificados Pelo Sistema / Amazônia Nunca Mais / Máquina Militar / Paranóia Nuclear / Realidades Da Guerra / Aids, Pop, Repressão / Beber Até Morrer / Crise Geral.

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Scorpions no palco do Metropolitan.

Após três shows em São Paulo, era a hora da maior banda alemã de rock, Scorpions se apresentar no Rio de Janeiro. O local para a apresentação foi o Metropolitan, que chegou perto da lotação máxima, devemos lembrar que depois do ocorrido na boate Kiss no Sul do país, todas as casas de show passaram por reformulações quanto a espaço e capacidade.

A banda que completa 50 anos de carreira, adiou por tempo indeterminado sua aposentadoria que fora declarada a algum tempo atrás. Com algumas mudanças de line up e o afastamento de James Kottak (Bateria), devido a um problema de saúde, a banda subiu ao palco com os eternos Klaus Meine (Vocal), Rudolf Schenker (Guitarra), Mathias Jabs (Guitarra), Pawel Maciwoda (Baixo) e Mikkey Dee, baterista do Motörhead assumindo as peles.

O palco estava bem montado e a produção da banda é de alto nível, paredes de telas de Led pelo ambiente, um som nítido e um belo show de luzes. A banda subiu ao palco com ‘Going out With a bang’, música que abre o mais novo álbum da banda “Return To Forever” seguida por ‘Make It Real’, ‘The Zoo’, ambas presentes em “Animal Magnetism”, álbum de 1980 e ‘Coast To Coast’ do clássico “Lovedrive” (1979) com Meine empunhando uma guitarra.

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Klaus Meine.

Até então o que víamos pelas pistas eram pessoa agitando, dançando e veio o momento de silêncio para os não tão Rockers, o medley contendo ‘Top Of The Bill’ (“In Trance”, 1975), ‘Steamrock Fever’ (“Taken By Force”, 1977), ‘Speedy’s Coming’ (“Fly To The Rainbow”, 1974) e ‘Catch Your Train’ (“Virgin Killer”, 1976). Claro, o tempo passou e o alcance vocal de Klaus Meine não é mais o mesmo, mas é muito bom ouvir estes verdadeiros clássicos.

Conversava com um querido amigo na saída do show e lembramos do show do Uli Jon Roth executando apenas músicas do Scorpions para talvez… uma centena de pessoas em uma casa que cabe com folga 500. Talvez os hits do Scorpions os tenham deixado Pop demais ou o público de hoje talvez não se interesse pelo que não é tocado nas FMs, vai saber, enfim.

O set seguiu com ‘We Built This House’ (“Return To Forever”).  A balada ‘Delicate Dance’, música inédita apresentada no álbum “MTV Unplugged In Athens” de 2013, abriu espaço para o set acústico, com todos os membros da banda a frente do palco para a execução de um novo medley contendo ‘Always Somewhere’ (1979), a nova ‘Eye Of The Storm’ e a seminal ‘Send Me An Angel’ (“Crazy World”, 1990).

As baladas continuaram ao som da icônica ‘Wind Of Change’, canção que virou tema da queda do Muro de Berlim.  O “peso” foi retomado com ‘Rock ‘n’ Roll Band’ (2015) abrindo caminho para ‘Dynamite’ (“Blackout”, 1982) alegrando os fãs das antigas.

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Mikkey Dee e a homenagem a Lemmy Kilmister.

Momento especial do set, aproveitando a presença de Mikkey Dee, que sinceramente roubou o show com seu carisma e fôlego de garoto, a banda homenageia o indefectível Lemmy Kilmister, o eterno líder do Motörhead e entoa o hino ‘Overkill’, com imagens de Lemmy no telão, sendo cantada em alto e bom som pelos bangers que ali estavam. Ao término da homenagem, Mikkey realizou seu fantástico solo de bateria.

Mantendo o ritmo, a próxima música do set foi ‘Blackout’ (homônimo de 1982) com Rudolf Schenker portando uma guitarra que soltava fumaça. Rápida pausa para Klaus Meine entoar um trecho de “Cidade Maravilhosa” e intercalá-la com ‘No One Like You’, também presente em “Blackout” seguida por ‘Big City Nights’ (“Love At First Sting”, 1984) que fechou o set regular.

Apesar de algumas músicas não mostrarem a pegada original da banda e o show estar voltado ao lado mais comercial e o novo álbum, o show dos alemães ainda é um prato cheio. Claro, a banda possui 50 anos de carreira e é difícil agradar a todos. O Scorpions passou por várias fases e poderiam fazer 5 sets temáticos se quisessem.

O bis foi composto pela balada ‘Still Loving You’, que fez a alegria dos casais beijoqueiros de plantão, e a agitada ‘Rock You Like a Hurricane’, ambas de “Love At First Sting”. Um final previsível mas ainda, estranhamente, prazeroso.

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Mathias Jabs e Rudolf Schenker.

Scorpions Setlist: Going Out With a Bang / Make It Real / The Zoo / Coast To Coast / Medley: Top of the Bill – Steamrock Fever – Speedy’s Coming – Catch Your Train / We Built This House / Delicate Dance / Medley Acústico: Always Somewhere – Eye of the Storm – Send Me an Angel / Wind of Change / Rock ‘n’ Roll Band / Dynamite / Overkill (Motörhead Cover) / Drum Solo / Blackout / No One Like You / Big City Nights / Bis: Still Loving You / Rock You Like a Hurricane.

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Krisiun no palco do Teatro Odisséia.

A Be Magic juntamente com a Scelza Produções foram responsáveis por um sábado de peso no Teatro Odisséia – RJ. Na programação, tivemos o primeiro show dos cariocas da Siriun e fechando o cast, os gaúchos do Krisiun.

Os shows começaram cedo, pois o Teatro Odisséia costuma abrigar outros eventos após os shows. Com um público ainda tímido, a Siriun subiu ao palco e aproveitou o tempo para divulgar seu primeiro álbum: “In Chaos We Trust”.

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Siriun.

A banda carioca formada por Alexandre Castellan (Vocal / Guitarra), Elvis Damigo (Guitarra), Ricardo Amorim (Baixo) e Daniel Vilanova (Dying Breed), no lugar do baterista Braulio Drumond que acompanha os músicos Rob Rock e Leather Leone em sua turnê sul-americana, debutou nos palcos e trouxe um intrincado Death Metal aos ouvidos dos presentes.

Optando pela divulgação de seu álbum, a Siriun iniciou o set com ‘Intent’ que já demonstrava a pegada pesada dos caras, aproveitando o curto tempo, sem muito “blá, blá, blá”, foram executadas ‘Mass Control’ e ‘Spread Of Hate’. Com o público já tomado pelo seu som, ainda mandaram mais uma autoral, ‘Infected’ e o cover para ‘Wings’ da banda Vader. Simplesmente matador.

A banda concluiu seu set com ‘In Chaos We Trust’ e ‘Transmutation’. A Siriun pode ser uma banda nova mas já demonstra maturidade, a banda é bem entrosada e mesmo com a substituição do baterista mandaram muito bem. 

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Alex Camargo (Krisiun)

Rápida retirada de equipamentos e o Krisiun sobe ao palco, a banda familiar formada por Alex Camargo (Baixo / Vocal), Max (Bateria) e Moyses Kolesne (Baixo) abre a apresentação com ‘Ravager’ de “Conquerors of Armageddon” (2008), seguida por ‘The Will To Potency’, presente em “The Great Execution” (2011).

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Moyses Kolesne (Krisiun)

O Krisiun já conta com um bom tempo de estrada, vários álbuns lançados e funciona como uma perfeita máquina em cima do palco.

Alex Camargo elogiou e enalteceu o público presente, lembrando a todos o quanto eram importantes para o Metal e para o Brasil.

Dando continuidade ao set, foram tocadas ‘Combustion Inferno’ (“Souther Storm”, 2008), a nova ‘Scars Of The Hatred’, ‘Vengeance’s Revelation’ (“Apocalyptic Revelation”, 1998), ‘Ways Of Barbarism’ (“Forged In Fury”, 2015), ‘Sentenced Morning’ (mais uma de “Souther Storm”), e a dobradinha do álbm “The Great Execution”, ‘Descending Abomination’ e a aclamada e constantemente pedida, ‘Blood Of Lions’, petardo de 2011 que culminou em um breve descanso para Moyses e Alex, já que era chegada a hora do solo do baterista Max Kolesne.

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Após a surra nas peles de bateria promovida por Max Kolesne, e mostrar a união perfeita entre a agressividade e porque não?, a melodia, Alex Camargo convoca os fãs para se juntarem a justa homenagem a uma das maiores lendas do cenário Metal, Lemmy, eterno líder do Motörhead. A banda executa uma pesada versão para ‘Ace Of Spades’ que contou com uma grande roda.

O público estava ensandecido e ainda houve espaço para dois bis, o primeiro com ‘Apocalyptic Victory’ (“Apocalyptic Revelation”, 1998) e ‘Hatred Inheirt’ (“Conquerors Of Armageddon”, 2000) e o segundo, fechando de vez a noite, ‘Black Force Domain’, música que dá ao nome ao álbum de estréia da banda no ano de 1995.

Ao fim do show, duas certezas permearam as mentes dos presentes, uma nova grande revelação carioca e uma banda consagrada que jamais perdeu sua essência e humildade, uma banda que valoriza seus fãs, assim é o Krisiun.

Siriun Setlist: Intent/ Mass Control /  Spread Of Hate / Infected / Wings (Vader Cover) / In Chaos We Trust / Transmutation.

Krisiun Setlist: Ravager / The Will To Potency / Combustion Inferno / Scars Of The Hatred / Vengeance’s Revelation / Ways Of Barbarism / Sentenced Morning / Descending Abomination / Blood Of Lions / Drum Solo / Ace of Spades (Motörhead Cover) / Apocalyptic Victory / Hatred Inherit / Bis: Black Force Domain.