Arquivo da categoria ‘Resenhas Shows’

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Edu Falaschi e banda no Circo Voador

2019, o ano em que um dos maiores clássicos do Power Metal nacional completa seus 15 anos de lançamento. Falamos de Temple Of Shadows, segundo disco do Angra após a reformulação de seu clássico line-up. 

O álbum, uma obra conceitual, idealizada pelo guitarrista Rafael Bittencourt, conta a história de um cavaleiro e sua jornada pessoal enquanto serve a igreja católica durante a época das primeiras cruzadas.

Musicalmente o álbum se destacava, na verdade ainda se destaca, pelo instrumental bem elaborado e técnico, o uso de orquestras e uma vocalização simplesmente memorável de Edu Falaschi. Anos depois, soubemos o quanto este álbum afetou o a saúde vocal do cantor.

Após sua saída do Angra, Edu se dedicou a banda Almah. A alguns anos no entanto, o vocalista se apresenta usando apenas o seu nome e acompanhado de excepcionais músicos vem celebrando seus grandes momentos no Angra.

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Diogo Mafra

A proposta do show era a execução completa do álbum e mais alguns, digamos… bônus. Um pouco após o horário anunciado, a introdução Deus Le Volt! prontamente incendiou os presentes no Circo Voador. Era a deixa para que a banda subisse ao palco e despejasse clássicos nos ouvidos da platéia.

Nesta empreitada com Edu, estão os seus antigos companheiros de Angra, Aquiles Priester (Bateria), e Fábio Laguna (Teclados), além de seus companheiros de Almah, Raphael Dafras (Baixo), Diogo Mafra (Guitarra) e Roberto Barros (Guitarra).

Com a potente Spread Your Fire, Edu tirou qualquer dúvida que poderia haver sobre sua saúde vocal e a potência de sua voz. O som parecia um pouco embolado durante a a execução de Angels And Demons, mas logo se estabilizou.

Como o álbum conta com vários personagens e participações especiais, Edu contou com o guitarrista Mike Orlando (Adrenaline Mob), o vocalista Thiago Bianchi e Júnior Carelli (A.N.I.E) durante a execução da música Shadow Hunter. Outro detalhe, era a presença do quarteto de cordas que acompanha a banda nesta turnê, apelidados de Quartet Of Shadows, os músicos receberam muitos elogios e foram ovacionados pelos presentes.

O público estava completamente tomado pela emoção de ouvir esses grandes clássicos. A turnê também visava promover novos talentos e por todas as cidades em que a banda tocou, eram convocados nomes para subir ao palco e fazer duetos com Edu. No Rio não fora diferente, Daniela Moreira (Armonya) e Jorge Luciano (War Society) foram os escolhidos para cantarem No Pain For The Dead e Winds Of Destination respectivamente. Os dois mostraram muita técnica e paixão durante a execução das músicas.

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Fábio Laguna

Falando em paixão, era notável a alegria e a entrega dos músicos na execução das músicas. Todos executando magistralmente estas eternas canções. Após a conclusão da execução do álbum Temple Of Shadows na íntegra, Edu canta Pegasus Fantasy, música de abertura do anime Cavalheiros do Zodíaco, gravada por Edu. Na sequência, as novas Streets Of Florence e The Glory Of The Sacred Truth, com boa aceitação e retorno do público.

Durante a apresentação, Edu e Aquiles falaram sobre as dificuldades da turnê, os problemas judiciais, barreiras impostas por antigos colegas de banda, o momento delicado pelo qual Edu passou e seu retorno aos palcos em grande estilo. Fechando a memorável noite, não poderiam faltar dois dos grandes clássicos já gravados por Edu, registrados em seu primeiro álbum com o Angra, a faixa título Rebirth e Nova Era.

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Aquiles Priester

Uma noite de celebração ao Heavy Metal nacional com uma das maiores vozes que já tivemos representando este estilo. Parabéns a todos os envolvidos por este grandioso momento, músicos, equipe técnica, Circo Voador e a produtora On Stage. Simplesmente, mágico!

 

 

 

 

Edu Falaschi Setlist: Deus Le Volt! / Spread Your Fire / Angels And Demons / Waiting Silence / Wishing Well / The Temple Of Hate / The Shadow Hunter / No Pain For The Dead / Winds Of Destination / Sprouts Of Time / Morning Star / Late Redemption / Live And Learn / Pegasus Fantasy / Streets Of Florence / The Glory Of The Sacred Truth / Rebirth / Nova Era.

 

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Jeff Scott Soto

Quando recebemos a notícia do show da banda S.O.T.O, trazido ao Rio pela On Stage, a única palavra que veio a cabeça sobre um evento contendo o frontman Jeff Scott Soto foi: “Espetáculo!”

Com uma carreira insana, tendo se saído muito bem nas bandas e projetos em que passou, Jeff é um cara absurdamente fora da curva. Vocês podem achar que estou enchendo muito a bola do cara, mas vamos a um pequeno apanhado de suas peripécias.

O cara gravou os dois primeiros álbuns do sueco Yngwie Malmsteen, passou cinco anos ao lado da banda de Axel Rudi Pell, onde gravou quatro álbuns de estúdio e um registro ao vivo, gravou o único registro da banda Thrash, Bakteria, gravou dois álbuns com a Trans Siberian Orchestra, projeto de Jon Oliva (Savatage), foi um dos fundadores da banda Talisman, ao lado de Marcel Jacob, e sem falar das passagens nas bandas: Mars, Panther, Eyes, Takara, Humaninal, Human Clay, Soul Circus, Boogie Nights, as mais recentes, W.E.T, Sons Of Apollo, os projetos solos de Frank Banali e Joel Hoekstra, além da banda que leva seu próprio nome e a novíssima, S.O.T.O.

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BJ

Promovendo seu mais novo trabalho, Origami, ainda não lançado no Brasil, a banda chegou no Teatro Odisséia para seu penúltimo show no Brasil. Com um público intimista mas bem caloroso, Jeff não deixou a bola baixar e mostrou porque é um dos maiores frontmans da atualidade. O cara subiu no palco e pôs a casa abaixo.

Acompanhado pelos exímios músicos BJ (Guitarra / Teclado), Edu Cominato (Bateria), Jorge Salan (Guitarra) e Tony Dickinson (Baixo), Jeff esbanjou energia e carisma.

Como um caminhão desgovernado, Jeff atropelou o público com sua potente voz e presença de palco. As novas “BeLie” e “Origami”, soaram bem ao vivo e foram bem recepcionadas pelos presentes. Mas obviamente além da inquestionável qualidade do novo material, a maior parte do público estava ali para ouvir antigos clássicos, claro que as músicas novas terão em breve este peso, mas nada como um medley de músicas do Talisman: Break Your Chains / Day By Day / Give Me a Sign / Colour My XTC / Dangerous / Just Between Us / Mysterious para deixar os presentes em extase.

Como citado anteriormente, Jeff é um cara multi facetado, tendo as mais diversas inspirações, e isso ficou claro com os covers de Michael Jackson (Give In To Me), Madonna (Frozen), Seal (Crazy) e Queen (We Will Rock You).

Se não bastasse esse turbilhão de emoções, o guitarrista Jorge Salan, ainda mostrou sua música solo, Risk, deixando os presentes bem entusiasmados. E já que falamos de Salan, vale citar a empolgação e qualidade técnica dos brasileiros BJ, que canta, toca guitarra, teclado e “otras cositas mas” e o baterista, Edu Cominato, que se mostrou técnico e preciso, levando a banda a navegar com segurança por mares revoltos.

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Tony Dickson & Jorge Salan

Já o baixista Tony Dickson, parecia curtir cada momento do show. Sempre com um enorme sorriso e empolgação. O baixista substitui David Z, baixista original da banda e da Adrenaline Mob, falecido em um acidente de trânsito em 2017.

Jeff falou um pouco de David Z durante a apresentação e dedicou Soul Divine a sua memória.

No dia seguinte era a vez de São Paulo receber a banda no Carioca Club, mostrando a mesma intensidade do Rio, a banda fez mais uma apresentação memorável. Alguns ilustres estavam por lá, como Kai Hansen e Michael Vescera.

Acho que nunca usei tantos adjetivos positivos em um só texto, e isso só demonstra o quão grande foi a qualidade da apresentação desta verdadeira lenda do Rock / Metal. Longa vida ao S.O.T.O.

S.O.T.O Setlist: Hypermania / Freakshow / 21st Century (Jeff Scott Soto Cover) / Drowning / (Jeff Scott Soto Cover) / Wrath / Weight of the World / Soul Divine
(Jeff Scott Soto Cover) / The Fall / Watch the Fire / Learn to Live Again / One Love (W.E.T. Cover) / Origami / Eyes of Love (Jeff Scott Soto Cover) / Rosanna (Toto Cover) / Give in to Me (Michael Jackson Cover) / Cyber Masquerade / Livin’ the Life (Steel Dragon Cover) / Risk (Jorge Salán Cover) / Talisman Medley (Break Your Chains / Day By Day / Give Me a Sign / Colour My XTC / Dangerous / Just Between Us / Mysterious) / Frozen (Madonna Cover) / Crazy (Seal Cover) / I’ll Be Waiting (Talisman Cover) / Bis: We Will Rock You (Queen Cover) / Stand Up And Shout (Steel Dragon Cover) /Community Property (Steel Panther Cover).

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Chris Boltendahl

Quatro anos após a última passagem pelo Rio de Janeiro, os alemães do Grave Digger retornam ao Teatro Odisséia com algumas novidades. A primeira delas logicamente é a presença de músicas do mais novo álbum da banda, The Living Dead (2018). A segunda é a ausência do baterista Stefan Arnold, que saiu da banda após a gravação do álbum.

Sendo assim, a responsabilidade das baquetas ficou a cargo do tecladista, Marcus Kniep, que acompanha a banda já a algum tempo. Já o citado teclado, bem… este fora substituído por um sampler. O restante do time continua o mesmo, a voz inigualável de Chris Boltendahl, o baixo de Jens Becker, e a guitarra de Axel Ritt.

Precisamente no horário marcado, 21:00 Hs, a banda sobe ao palco. Com um bom público presente, a banda mostra que o Power Metal ainda respira e que não precisa de ajuda de aparelhos.

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Axel Ritt

Ovacionada pelos presentes, a banda iniciou o set com a nova composição, Fear Of The Living Dead, também faixa de abertura do novo álbum. A composição funcionou bem diante ao público. A banda apresenta uma trajetória bastante linear. O Grave Digger seguiu o show mesclando músicas de toda a sua carreira, arrancando coros do público presente.

Clássicos como Lionheart, Rebellion, Excalibur, e The Bruce foram entoadas por todos os presentes tirando vários sorrisos de Chris Boltendahl, que se mostrava um tanto quanto orgulhoso. As composições mais recentes mostram sua força e possuem total condição de serem consideradas como clássicos daqui a alguns anos, a única música que soou meio estranha, mas que para o público foi um grande momento de diversão foi Zombie Dance, é para se amar, ou odiar.

Fechando a noite, claro, não poderia faltar o hino, Heavy Metal Breakdown, música que nomeia o primeiro álbum dos alemães, lançado em 1984 e até hoje um dos maiores sucessos da banda.

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Chris Boltendahl

Agora vamos aos detalhes técnicos, visivelmente Marcus Kniep precisa de mais tempo de estrada se realmente quiser assumir de vez o banquinho da bateria, apesar de algum tempo na banda, 10 anos para sermos exatos, o exímio showman Axel Ritt, ainda insiste em tentar mudar, ou talvez ele simplesmente não consiga executar, alguns solos de músicas mais antigas. Jens e Chris já possuem tempo suficiente de estrada e entrosamento para que alguma falha ocorra por conta deles.

Grande parte do público foi embora satisfeita, digo grande, porque com uma carreira tão extensa, fica difícil a banda conciliar tantos clássicos com os sons novos, completamente plausível. Mais uma daquelas noites em que os ponteiros do relógio deveriam correr mais devagar. Hail!!!

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Jens Becker

Setlist: Fear of The Living Dead / Tattooed Rider / The Clans Will Rise Again / Lionheart / Blade of The Immortal / Lawbreaker / The Bruce (The Lion King) / The Dark of the Sun / Call For War / The Curse of Jacques / War God / Season of the Witch / Highland Farewell / Circle of Witches / Excalibur / Rebellion (The Clans Are Marching) / Bis: Healed By Metal / Zombie Dance / The Last Supper / Heavy Metal Breakdown.

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Venom Inc. no palco do Mister Rock Bar (MG)

Texto e Fotos por: Isabela Lopes.

No sábado (02/02), os ingleses do Venom Inc. desembarcaram em Belo Horizonte para mais  um show da turnê “Avé Satanas”, muito aguardado pelos fãs mineiros do Black Metal “old school” da banda.

Infelizmente a casa não estava muito cheia, mas o público presente recebeu com empolgação a banda, cantando de forma calorosa os clássicos do Venom, como “Welcome to Hell”, “Black Metal” e “Witching Hour”.

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Tony “Demolition Man” Dolan

O baterista Jeramie Kling, como de costume, chama atenção pela sua performance agitada e calorosa, mesmo estando lá no fundo do palco, atrás da bateria, o tempo todo fez contato com o público através de caretas e gestos, sempre soltando notas tocadas com muita força, como o estilo exige.Durante toda a apresentação, Tony “Demolition Man” Dolan, esbanjou simpatia, conversando com o público e enfatizando sua satisfação em estar tocando no Brasil. Demolition Man, chegou a mostrar uma tatuagem recém feita em seu braço com o formato do estado de São Paulo, comprovando sua paixão pelo país.

Mas, falando em “chamar atenção”, o que dizer do lendário Jeff Dunn “Mantas”, um dos membros icônicos da banda Venom. As câmeras dos celulares se mantiveram preparadas para não perder nenhum acorde solto pelo guitarrista.

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Mantas

O Venom Inc. manteve a energia em alta durante todo o setlist, esquentando ainda mais a noite dos mineiros que tiveram a felicidade de sair de casa naquele sábado para assistir aos veteranos do Metal. Para quem, por algum motivo, não teve a oportunidade, ou escolheu não ir ao show, fica o sentimento de perda. O belo-horizontino precisa, urgentemente, aprender a valorizar mais os esforços dos produtores que nos dão acesso a shows de bandas tão lendárias e passar a comparecer em peso nos eventos.

Para ver mais fotos do show, acessem: https://www.instagram.com/isabelalopesphoto/

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Jeramie Kling

SETLIST: Metal We Bleed / Die Hard / Welcome to Hell / Live Like an Angel (Die Like a Devil) / Blackened Are the Priests / Carnivorous / Parasite / Warhead / Don’t Burn the Witch / War / Lady Lust / Leave Me in Hell / Temples of Ice / Black n’ Roll / Black Metal / Sons of Satan / Witching Hour.

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O que era impensável se tornou realidade no último dia 9 de Novembro. A data marcou o início da passagem do British Lion pelo Brasil. Para quem não se recorda, a banda é um projeto solo do baixista Steve Harris, nada mais nada menos do que o capitão e fundador da instituição, Iron Maiden.

Contando com um álbum de estúdio, autointitulado, lançado em 2012, Steve se juntou aos músicos Richard Taylor (Vocal), Grahame Leslie (Guitarra), David Hawkins (Guitarra) e Simon Dawson (Bateria) e fez sua primeira apresentação em terras brasileiras na sexta-feira com clima londrino.

A banda chegou cedo ao Circo Voador e atendeu a alguns fãs que estavam no local. No horário definido a banda subiu ao palco e com muita empolgação, animou o público presente.

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Richard Taylor

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British Lion no palco

Com um som um pouco diferente de sua principal banda, Steve Harris e cia fazem algo mais voltado ao Hard n’ Heavy, se distanciando um pouco do Heavy Metal mais tradicionalista da donzela de ferro.

 

O público mediano, talvez devido ao grande número de apresentações que estão ocorrendo na cidade no mês de Novembro, agitou bastante e cantou as músicas não decepcionando. Por sinal, a banda só utilizou faixas autorais, sem nenhum cover de outra bandas que os integrantes fazem ou faziam parte.

Se alguém duvidava da banda em cima do palco, digo que as músicas soam bem mais fortes ao vivo, e que as composições do vindouro álbum, o segundo da banda, apresentam um baixo mais cavalgado do que o primeiro, marca registrada de Mr. Harris. Bom exemplo disto é a faixa ‘Spitfire’, que ganhou clip poucos dias antes da apresentação e foi executada ao vivo pela primeira vez neste show.

This Is My God’, ‘Lost Worlds’ e ‘Bible Black’, soaram muito bem ao vivo e foram recebidas muitíssimo bem pelo público. Um belo início de turnê, que deixou banda e os seguidores de Steve satisfeitos.

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Steve entregue ao Rio

Apesar da qualidade e experiência instrumental da banda, um dos únicos pontos de destaque negativo fica por conta da movimentação de palco de Richard Taylor. O cara tem carisma e até que se comunica, mas falta aquele ritmo de palco que estamos acostumados a ver.

Além da excepcional qualidade do Circo Voador, um outro ponto que chama a atenção foi o valor das camisas da banda, trazidas pela própria produção, os souvenirs custavam bem mais baratos que as camisas feitas no Brasil, e estou falando de bandas nacionais e internacionais. Um excelente atrativo aos fãs.

British Lion Setlist: This Is My God / Lost Worlds / Father Lucifer / The Burning / Spitfire / The Chosen Ones / These Are The Hands / Bible Black / Guineas And Crowns / Last Chance / Us Against The World / Lightning / Judas / Bis: A World Without Heaven / Eyes Of The Young.

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Os irmãos Cavalera celebrando com o Circo Voador

Celebrando dois dos maiores clássicos do Sepultura, “Beneath The Remains” e “Arise”, os irmãos Cavalera, Max e Iggor, chegam ao Rio de Janeiro com a turnê, ’89 – 91 ERA’.

Esses álbuns representaram a solidificação do nome Sepultura mundialmente, culminando posteriormente nos álbuns “Chaos A.D” e “Roots”. Fechando assim a primeira grande fase da banda mineira.

Não vou gastar tempo falando da saída dos irmãos da banda, isso foi amplamente noticiado e todo headbanger que se preze já ouviu essas histórias milhões de veze assim como a troca de farpas entre os irmãos e seus antigos companheiros. Vamos falar de algo que realmente importa, a música.

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Mike Leon

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Marc Rizzo

Praticamente no horário marcado pela produção, 22:30, Iggor Cavalera, Marc Rizzo, Mike Leon e Max Cavalera sobem ao palco do Circo Voador. Ovacionados pelo bom público, a banda já começa o set com  ‘Beneath The Remains’, uma grande roda tomou conta do Circo Voador e não houve piedade para quem estava dentro do turbilhão humano.

Sem tempo para pensar, eram desferidos sons pesados e clássicos, fazendo a cabeça dos que estavam presentes, ‘Inner Self’, ‘Mass Hypnosis’, ‘Arise’, ‘Dead Embryonic Cells’ entre outras fizeram com que a roda fosse constante durante o show.

Vários fãs aproveitaram para praticar ‘stage dive’, subindo ao palco e se atirando contra a platéia depois. A banda estava curtindo o momento, uma verdadeira viagem no tempo aos gloriosos anos de Sepultura. Max não escondia o sorriso e dividiu o microfone com os fãs. O mesmo inclusive realizou seu próprio ‘stage dive’ na galera. 

Yggor, apesar de aparentar um certo cansaço, ainda espanca sua bateria como um animal. Mike Leon é um insano no baixo e o cara curte cada momento, já Rizzo é um pouco mais contido, mas uma máquina nas guitarras.

Um momento dedicado a Lemmy Kilmister do Motorhead fora anunciado por Max e era a hora das imortais ‘Orgasmatron’ e ‘Ace Of Spades’. O Circo veio abaixo. O turbilhão ganhara força e o bicho pegou.

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Os irmãos, Iggor e Max Cavalera

Para encerrar ainda tivemos de “bônus”, ‘Refuse Resist’ e ‘Roots’. Noite inesquecível para os fãs, saudosistas ou não, um show de Metal como deve ser. Grande aula.

Max & Iggor Cavalera Setlist: Beneath the Remains / Inner Self / Stronger Than Hate / Mass Hypnosis / Slaves of Pain / Primitive Future / Arise / Dead Embryonic Cells / 
Desperate Cry / Altered State / Orgasmatron (Motörhead Cover) / Ace of Spades (Motörhead Cover) / Troops of Doom / Refuse-Resist / Roots Bloody Roots / 
Beneath the Remains – Arise

 

Instagram: instagram.com/pedrohmello

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Daniel revelando talentos em meio ao público

06-05 – Daniel Cavanagh

O inglês, Daniel Cavanagh, conhecido por seu trabalho junto ao Anathema, passou pelo Brasil promovendo seu mais novo álbum solo, “Monochrome”. O show do Rio foi trazido pela parceria da MGB Produções com a No Class Agency, uma dobradinha que tem dado muito certo em terras cariocas.

Mesmo com disco novo, Daniel trouxe aos fãs mais fervorosos um show repleto de canções que fizeram sucesso em seu período com o Anathema e alguns covers. De “Monochrome”, apenas fora executada ‘The Exorcist’, uma das mais legais do novo material do vocalista e guitarrista.

O público era pequeno mas caloroso, só não entendi o porque de Daniel não utilizar nada que deixasse seu sampler com melhor acesso, ao invés disso, o músico preferiu se exercitar em uma série de agachamentos a meu ver, desnecessários.

Um show intimista onde não faltaram clássicos como: ‘Springfield’, ‘Fragile Dreams’, ‘Anathema’ e as duas partes de ‘Untouchable’. E os covers para ‘Enjoy The Silence’ do Depeche Mode, ‘Another Brick In The Wall – Part 2’ e ‘High Hopes’ do Pink Floyd. Os fãs curtiram e saíram felizes.

 

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Ozzy em sua despedida

20-05 – Ozzy

E o Mestre das Trevas comedor de morcegos anuncia sua aposentadoria. Ok, ok, não é a primeira vez. E os fãs já foram avisados de que é a última turnê mundial e que Ozzy ainda permanecerá no mundo da música, fazendo eventos especiais.

A Jeunnese Arena estava com um excelente público para receber Ozzy e sua trupe. Com músicos experientes ao seu lado, o inveterado Madman contou com nomes bem conhecidos no cenário da música pesada, Zakk Wylde retorna as guitarras, Rob “Blasko” Nicholson no baixo, Tommy Clufetos na bateria e Adam Wakeman, filho de Rick Wakeman, nos teclados e guitarras adicionais.

Ozzy estava completamente solto no palco e junto com a banda tomaram conta e incendiaram o grande público. Os efeitos visuais das telas que compunham o background do palco eram um show a parte.

O show foi intenso e lógico, com o tempo de estrada de Ozzy, era impossível termos todas as canções no set, mas mesmo assim, foi um belo apanhado da carreira solo de Ozzy. Mas tivemos canções icônicas como ‘Bark At The Moon’, ‘No More Tears’, ‘Mr. Crowley’, ‘Suicide Solution’ entre outras.

Mas o maior pecado da noite foram ter executado apenas a introdução de ‘Perry Mason’, em um medley instrumental onde Zakk passeou pelo pit debulhando sua guitarra.

Despedida bem mais animada do que a do Sabbath.

 

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Carl Palmer mantendo o legado do ELP no Vivo Rio

25-05 – Carl Palmer

Ícone do Rock Progressivo, Carl Palmer, lendário baterista do trio, Emerson, Lake & Palmer, se apresentou no Rio de Janeiro no final do mês de Maio.

O baterista veio promover um show ao lado dos excepcionais, Paul Bielatowicz (Guitarra) e Simon Fitzpatrick (Baixo), comemorando e celebrando sua carreira junto ao trio que levara seu nome. Palmer é o único membro ainda vivo da banda, Greg Lake e Keith Emerson vieram a óbito no ano de 2016. O primeiro,vítima de um câncer, e o segundo, cometendo suicídio em sua casa, Keith apresentava um quadro de depressão devido a um problema grave em um nervo em sua mão direita que limitava suas performances, o músico não suportou ao se ver limitado e sendo constantemente criticado por suas finais apresentações.

Bem, voltemos a falar de coisas boas agora. Carl Palmer está em plena forma, aos 68 anos de idade, o britânico ainda demonstra um vigor invejável enquanto surra suas peles e pratos, já a escolha dos músicos que o acompanham, não poderia ser mais acertada, Simon e Paul são dois prodígios das cordas e fizeram uma exemplar apresentação.

A apresentação ainda contou com Ritchie, sim, aquele de ‘Menina Veneno’, nos vocais de ‘Lucky Man’ e Tony Platão em ‘C’est la vie’. Os caras mandaram bem.

Palmer estava feliz em estar ali, celebrando o ELP com seus amigos. Como backdrop, várias ilustrações criadas por Palmer, muitas delas, usadas pelo ELP, como Tarkus e Manticore. Uma apresentação cheia de nuances delicadas, detalhes apoteóticos, simplesmente de tirar o fôlego.

 

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Angra, lançando 0mni no Circo Voador

31-05 – Angra

Com nova formação, o Angra retorna ao Circo Voador para o lançamento do álbum 0mni.

Rafael Bittencourt (Guitarra), Felipe Andreoli (Baixo), Bruno Valverde (Bateria) e Fabio Lione (Vocal), agora contam com Marcelo Barbosa (Guitarra), assumindo a posição anteriormente ocupada por Kiko Loureiro.

A alteração não foi nenhuma grande surpresa, Marcelo já substituíra Kiko em algumas ocasiões, sem comprometer a banda, o que fez com que sua escolha para o cargo fosse mais que acertada. Para quem não lembra, Kiko agora faz parte do Megadeth. 

A banda estava empolgada, e parece que depois de alguns altos e baixos na carreira da banda, os fãs voltaram a apoiá-los. 0mni é o primeiro álbum sem Kiko, na verdade ele aparece com uma pequena participação, no solo de ‘War Horns’. Outras participações no disco são a cantora Sandy, sim, aquela que cantava com o irmão Júnior, e a vocalista do Arch Enemy, Alissa White-Gluz, ambas na faixa ‘Black Widow’s Web’.

O set focou bem as músicas desta nova fase com Lione, mostrando que aos poucos, a banda vai adquirindo uma nova identidade. Praticamente 50% de novas composições e 50% de clássicos.

Com uma bela iluminação e muita garra, a banda subiu ao palco animada. Andreoli, para mim, continua sendo o músico mais técnico da banda,o cara é realmente um monstro.

Entre as novas, destaque para, ‘Black Widow’s Web’, ‘Insania’, ‘Travelers of Time’, ‘Newborn Me’ e ‘Storm of Emotions’, já para as viúvas de plantão, destacamos, ‘Holy Land’,  ‘Nothing to Say’, ‘Rebirth’, ‘Running Alone’ e ‘Angels and Demons’.

Apesar do público estar ansioso, e a banda empolgada, algumas falhas no som da casa tiraram a paciência de Fabio Lione, sua voz não saiu em vários momentos, e a banda não obtinha retorno em algumas ocasiões. Lione fazia caras bravas e cobrava respostas da produção, culminando ao término do show com o italiano arremessando o microfone na parede.

Claro, o público cantou tudo e mesmo com as falhas, não deixou em nenhum momento, a moral da banda cair. Noite um pouco tumultuada, mas com sorrisos ao fim da noite.