Burn The Mankind: Entrevista Com a Grande Promessa Gaúcha

Publicado: 03/05/2016 por Pedro Mello em Entrevistas, News, Uncategorized
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Com o primeiro álbum lançado em 2015, intitulado ‘To Beyond’, a banda gaúcha Burn The Mankind. A banda é tida como uma das promessas do cenário metal mundial e vem angariando muitos elogios da mídia especializada nacional e internacional.

Confira agora a entrevista concedida por Pedro Webster (Vocal, baixo), Marcos Moura (guitarra) e Rafael Barros (guitarra) do Burn the Mankind ao RioMetal Press:

Acredito que é impossível falar com vocês na primeira vez e não perguntar sobre o nome da banda. Como chegaram a concepção de “Burn The Mankind”? É um nome bem forte.

Pedro Webster: Burn the Mankind é um nome que simboliza a nossa concepção niilista e destrutiva atrelada ao nosso som. O “Mankind” aqui tem um sentido subjetivo que representa toda carga cultural de um sistema dominante, imposta na formação de nosso caráter e que atingem diretamente nossas escolhas e julgamentos. Queremos quebrar isso, todas as amarras que restringem nossa liberdade e obrigam-nos a aderir à uma ética de vida vazia e fraca.

Em dezembro de 2015 foi lançado mundialmente o primeiro full lenght da banda – ‘To beyond’. Como foi o processo de gravação do álbum?

Marcos Moura: Foi um processo longo, iniciado em 2010. Fizemos as partes da bateria com Matheus Montenegro, que deixou o grupo em 2012, no estúdio do Fábio Lentino (ex-Nephasth). Gravamos o álbum três vezes, até chegarmos a uma sonoridade satisfatória, principalmente nas guitarras. A produção ficou por conta de Henrique López e contamos ainda com a participação nos backing vocals de Rafael Barros (ex-Nephasth), que assumiu a segunda guitarra em 2013 depois que Raissan Chedid assumiu as baquetas.

Rafael Barros: Contribuí também na produção final, mixagem e artwork do CD. Apesar de não ter feito parte da banda desde seu nascimento, me sinto como estivesse lá desde o início, pois trabalhei muito junto a banda pra que esse disco fosse lançado. Trouxe também uma forte visão de trabalho profissional e foco oriundo da minha experiência com o Nephasth.

A banda tem como foco de suas músicas a existência humana, e esse é o tema abordado em ‘To Beyond’. Podemos considerá-lo um álbum conceitual?

Pedro: Sim, “To Beyond” é um álbum conceitual que direciona um personagem à quebrar com as amarras impostas subjetivamente pela sociedade. Tais amarras são o medo, o ouro, o poder que escravizam e condenam. Através de conceitos sobre-humanos que superam o mundo físico, tal personagem encontra forças para romper com este mundo humano, ralo e doentio e parte para um plano extra físico em prol da liberdade.

Rafael: …em prol da liberdade e de uma nova era!

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Pedro Webster, Marcos Moura, Rafael Barros e Raissan Chedid

Um fato bem grave aconteceu com a banda em Janeiro deste ano. Vocês foram assaltados e Rafael Barros (Guitarras) acabou sendo mantido como refém e agredido por ladrões. O que aconteceu e o que representou este fato para vocês?

Rafael: Voltávamos de um ensaio e ao chegarmos na casa do baterista para largar nosso equipamento, fomos interceptados por um carro e três caras armados nos obrigaram a sair do nosso veículo. Eu estava no banco de trás com o restante de instrumentos e não consegui abrir a porta, os ladrões entraram e arrancaram comigo dentro. Percorri alguns quilômetros sob ameaças de morte e agressões na cabeça, tendo duas armas coladas com força na testa. Depois me largaram. Muitas reflexões vieram após o acontecimento. A violência está cada vez mais próxima e isso pode acontecer de novo ou com alguém próximo a você. Tive a sensação real de que iria morrer, pois a qualquer instante uma daquelas armas poderia disparar. Foi chocante! Então, ter saído disso apenas com um pequeno trauma e um corte na cabeça foi como um renascimento.

Conseguiram reaver ou localizar alguns dos equipamentos?

Rafael: Sim, conseguimos recuperar algumas coisas da bateria. Estamos tendo apoio da polícia, mas é tudo muito difícil e burocrático. As investigações estão rolando… é isso que podemos falar até o momento.

Acredito que estes indivíduos devam ser o lado da humanidade a ser queimado.

Rafael: Num primeiro instante, claro! Dá vontade de queimar todos, exterminar! É difícil adquirir bons equipamentos em nosso país. É muito complicado lidar com a situação de ser agredido, ameaçado e roubado, de se sentir um mero produto descartável dentro de um processo criminoso. O pior é o sentimento de impotência, de que as coisas ficarão sem solução. Mas depois vem a dúvida… matar resolve? Pra mim é como colocar a sujeira embaixo do tapete ou tapar olhos e ouvidos.

Pedro: Não pretendo queimar indivíduo A ou B, mas sim, a concepção de humanidade como um todo, que, organizada no molde que está, acaba fomentando a formação destes indivíduos, e condiciona-os à agirem desta forma.

Marcos: Na minha opinião essas pessoas são parte de um problema ainda maior. O sistema que causa um vazio enorme nas pessoas, induz a um padrão de vida insustentável de consumo. O que deve ser “queimado” é a forma de pensar, valorizar não o que se tem, mas o que se é. Somos todos semelhantes, porém não iguais.

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To Beyond – 2015

Como tem sido o retorno de mídia e público a ‘To Beyond’ pelo globo? Pelo que andei lendo parece que o trabalho tem sido bastante elogiado.

Marcos: A receptividade tem sido excelente tanto fora como dentro do país. Estamos muito felizes em receber críticas e elogios de um álbum composto e gravado com muita dedicação.

Rafael: A revista inglesa Metal Hammer fez uma excelente resenha do disco. Para o crítico, a banda se revelou uma grande promessa vinda do continente sul americano. Isso com certeza nos deixou bastante orgulhosos, nos mostrou que estamos no caminho certo.

Com uma receptividade assim, já devem ter aparecido alguns convites para eventos. Como está a agenda da banda?

Marcos: Fizemos alguns shows desde o lançamento até o fatídico evento em que perdemos nossos equipamentos. Recentemente, voltamos aos ensaios e fizemos nosso primeiro show após o assalto no Obscure Faith em Santa Maria/RS. Tivemos a grande ajuda de amigos de outras bandas que nos emprestaram boa parte do equipamento. Os convites estão surgindo, nossa vontade é de tocar em todos os lugares possíveis.

Voltando ao álbum, o trabalho de capa ficou bastante coeso com o direcionamento musical da banda, como foi confeccionada a arte?

Marcos: A concepção de arte é da artista plástica Luciana Kingeski. Conversamos muito sobre o conceito do álbum, as dificuldades que tivemos ao longo do processo de gravação. A finalização ficou a cargo de Rafael Giovanoli, tatuador e guitarrista do In Torment . O projeto gráfico foi feito pelo Rafael, guitarrista da banda. Ficamos satisfeitos com todo o resultado.

Rafael: Ótimo saber que o trabalho está sendo assimilado dessa forma. A arte está diretamente ligada ao som e proposta lírica da banda.

Gostaria de parabenizar vocês pelo álbum, ficou um trabalho forte e de muita personalidade. Por favor deixem uma mensagem aos que já são e aos que virão a ser ouvintes da Burn The Mankind:

Marcos: Muito obrigado pelas palavras, isso nos incentiva a acreditar e seguir melhorando sempre. Obrigado pelo espaço, e obrigado por estarem ativos e juntos nessa, precisamos cada vez mais de espaços como este. Quem quiser conhecer o nosso trabalho pode acessar o Spotify que estaremos lá, bem como outros serviços de streaming. Grande abraço!

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Rafael Barros, Raissan Chedid, Pedro Webster e Marcos Moura

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