Belphegor: Entrevista Com o Vocalista Helmuth Lehner

Publicado: 21/11/2014 por Pedro Mello em Entrevistas, News
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 Helmuth Lehner

A poucos dias de realizarem shows no Brasil, os austríacos do Belphegor separaram um tempinho para conversar com a equipe do RioMetal e falar sobre problemas de saúde, o último álbum “Conjuring The Dead”, o aniversário de 20 anos da banda e muito mais.

Confira a mais esta exclusiva do RioMetal:

Acredito que a primeira pergunta é inevitável. Como está a saúde de Helmuth Lehner? Como este problema ocorreu?

Helmuth: Ave, Pedro. Obrigado por perguntar pela minha saúde. Eu tomei a péssima decisão de beber água de um hotel na América Latina há poucos anos atrás e acabei com Tifo.

Eu estou bem agora. Estou contente por estar apto a tocar guitarra e ficar à frente da minha banda novamente. Me sinto ótimo e estou agradecido por isto. Levei quase 8 meses para voltar e ser capaz de tocar novamente. Os primeiros meses após a operação foram difíceis. Eu sempre fui muito ativo minha vida toda, treinava, fazia tudo que era proibido – várias memórias de excessos gravadas na minha cabeça que poderiam encher livros. O pior foi que eu não podia tocar, eu nunca fiquei tanto tempo sem tocar guitarra. Aquilo foi frustrante e novo pra mim e meu corpo me mostrou muitas fronteiras. Eu odiei ter que ficar calmo mas eu logo percebi que eu não poderia vencer uma corrida com 3 malditas rodas, então sim, eu tive que esperar e o tempo passou vagarosamente. Erguer-se para cair e cair para erguer-se, como diz uma das faixas do álbum BLOOD MAGICK NECROMANCE (2011).  O importante é, BELPHEGOR está de volta, ainda consistente e rodando o mundo inteiro como um tanque de guerra mundial.

É ótimo saber que já está bem novamente. A poucos meses de visitar a América do Sul novamente, pensam em tomar algum tipo de precaução especial?

Helmuth: Eu não beberei água de torneira novamente, isto é certo. Atualmente, eu sempre serei mais cuidadoso em minhas viagens…

Humanos são cheios de merda, nós envenenamos a raça, destruímos a Terra, a água, o clima, a natureza, quase tudo em nome da ganância e poder… é por isso que eu escrevi uma música com este conteúdo, na letra de GASMASK TERROR. É uma vergonha… nós deveríamos ser uma espécie superior, cuidadores do planeta, não destruidores.

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Conjuring The Dead, último lançamento do Belphegor

Como tem sido a receptividade do álbum ‘Conjuring The Dead’?

Helmuth: O retorno é incrível, cara. Foi uma jornada difícil, montes de contratempos que me forçaram a atrasar de novo e de novo, demorou mais de 3 anos até CONJURING THE DEAD ser lançado. No início foi meio frustrante. Eu pensei: Eu nunca consigo terminar esse disco filho da puta, e então um monte de ódio e agressão estavam em mim e eu canalizei tudo aquilo pra dentro de novas músicas. Eu estou muito orgulhoso deste lançamento, ele é muito especial pra mim, nosso álbum mais maduro até agora e um dos mais fortes. Nós gravamos na Florida com Erik Rutan. Ele nos impulsionou a sermos os melhores que poderíamos e esta foi uma excelente decisão por escolhe-lo para ser o produtor deste LP brutal.

O álbum traz faixas rápidas e outras mais cadenciadas, mas sem perder a agressividade e peso. A adversidade pela qual Helmuth passou, influenciou as composições?

Helmuth: As questões da minha saúde e recuperação afetaram tudo em relação ao novo álbum, o processo de composição, a banda, minha vida. Existiram muitos atrasos e contratempos assim como eu tive que me submeter as minhas novas limitações. Eu nunca trabalhei tão duro em outro lançamento. Eu sempre tive no fundo da mente, e temi depois da minha doença com risco de vida, que este poderia ser o último ábum do BELPHEGOR.

Então eu não queria fuder com tudo, eu queria fazer as coisas absolutamente certas. Eu procurei ter uma abordagem mais Death Metal neste LP, mais irritado, mais cru e é claro brutal. Foi tempo de retornar às nossas raízes mas com o aprimoramento musical que nós temos em 2014. Também, um bocado de NWOBHM, que eu ainda adoro, flui no novo “slasher”.

Aqui vão umas pistas abaixo, nós tentamos novos elementos e experimentamos por dentro do nosso estilo, que é importante para a evolução da banda, sem trair nossas raízes.

CONJURING THE DEAD fala por si mesmo. Um som forjado no inferno!

IN DEATH é sobre meu retorno aos palcos e à frente da minha banda novamente, minha experiência de dançar com a morte. É uma música de avanço rápido de Thrash/Death Metal com muita influência de NWOBHM.

THE EYES  é um intervalo, ela acalma após os primeiros cinco sons de  colagens brutais. Eu toquei a guitarra acústica clássica e durante isso você escuta a guitarra principal gritando. Poderia ser quase também um pedaço de música da engenhosa New Wave Of British Heavy Metal. 

Após THE EYES, nós começamos com este monstro técnico do Death entitulado LEGIONS OF DESTRUCTION.

Para o exaltado REX TREMENDAE MAJESTATIS nós adicionamos um monte de sonoridade clássica na guitarra. O título foi retirado da última composição de WOLFGANG AMADEUS MOZART, REQUIEM. Ele escreveu em seu leito de morte. Ele sabia que morreria cedo. A música tem influências desta composição quando se trata da intensidade da atmosfera. Eu tenho que ser cuidadoso com este tipo de declaração, eu não sou um compositor como MOZART, ele era um gênio. Mas esta música é exatamente o que eu senti, quais eram meus objetivos, como eu comecei a criar REX TREMENDAE MAJESTATIS e quando eu escuto REQUIEM.

Em FLESH, BONES AND BLOOD nós também tocamos em um novo terreno. A faixa vem com um sentimento industrial e guitarras com uma pegada Death Metal, com um atmosfera ritual no refrão.

A introdução de PACTUM IN AETERNUM, toda tocada com  instrumentos naturais, quase feitos pela própria natureza, com um monte de partes que são tocadas com ossos reais (humanos e animais…), ameaçadoras e escuras! Elas foram criadas por KRAMATACH, uma banda arcaica de caverna da Áustria.

Enquanto os massacres de alta velocidade como BLACK WINGED TORMENT e GASMASK TERROR são faixas típicas do BELPHEGOR, BLACK WINGED TORMENT é, juntamente com nossa amada LUCIFER INCESTUS a música mais rápida que nós já escrevemos. BLACK WINGED TORMENT será apresentada durante a próxima turnê na América Latina.

Quais outros fatores ou elementos influenciaram as letras de ‘Conjuring The Dead’?

Helmuth: Ele também tem a ver com a declínio de toda humanidade. Um monte de merda está acontecendo perigosamente no planeta neste momento… o tempo está correndo. E no topo disto, como sempre, nós enaltecemos a blasfêmia. Anti-deus – anti-vida, os versos são o caminho mais sério desta vez, assim como o projeto todo é, devo dizer. Eu não quero descrever qualquer coisa demais para evitar concepções erradas. Eu encorajo as pessoas com o CD a ler as letras e formar suas próprias interpretações.

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Helmuth e Serpenth

Em 2015, o primeiro álbum do Belphegor, ‘The Last Supper’, fará 20 anos. Pensam em fazer algo para celebrar esta marca?

Helmuth: É surreal que nós duramos tanto, nunca nos separamos ou mudamos nossa atitude… o legado – a música brutal, você sabe. Nós celebramos o álbum criando ainda músicas extremas e praticando nossos rituais ao vivo ao redor do mundo, para glorificar a magia em nome do Metal.

A capa de ‘Conjuring The Dead’ foi novamente feita pelo artista Seth. Como foi o processo de criação da arte?

Helmuth: Eu curto o estilo artístico dele e trabalhar com ele. Ele também fez a arte de PESTAPOKALYPSE (2006). Eu estou puta orgulhoso das novas impressões. Seth fez um trabalho marcante e trouxe idéias incríveis para o projeto. Nós trabalhamos por meses em detalhes pequenos, complexos. O time era sensacional. Eu ainda fico deslumbrado quando eu olho o pôster com a arte da capa, com todos aqueles símbolos que tem tantos significados.

Foi uma honra falar com vocês. O que os fãs brasileiros podem esperar dos shows que serão realizados no Brasil?

Helmuth: Obrigado pelo espaço. Eu prefiro chamar as pessoas que nos apoiam simplesmente de “Soldados da morte”, “Maniakks”, e “Demônios”. Eu não aprecio a palavra “fã”, de verdade.

Veja as datas abaixo:

05.12.2014 BR Natal Armazém Hall
06.12.2014 BR Rio de Janeiro Espaco Acustica
07.12.2014 BR São Paulo Extreme Hate Festival
       

As legiões do Brasil podem esperar uma intensa performance no palco e puta música brutal até os ossos. Junte-se aos rituais em Dezembro e vá ao inferno conosco…

 

comentários
  1. […] o suor, Helmuth e Martin até que conseguiram se manter. Conforme dito em entrevista ao RioMetal (https://riometalsite.wordpress.com/2014/11/21/belphegor-entrevista-com-o-vocalista-helmuth-lehner/), ficou mais do que notória a presença de elementos da NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal) […]

  2. Vinicius disse:

    Hail…helmuth lehner q seu prossimo allbum seje cheio de brutallidade como sempre, e cheios de
    rituais

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